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ARTIGO
Quinta-feira, 07 de Agosto de 2008, 21h:19

PAULO RONAN

Eleiçoes 2008

Luiz soares, o ex-presidente regional do PSDB é um reducionista. Do bem. Tem os do mal. Principalmente taxista de São Paulo com aquela estória “Maluf rouba mas faz”. Tem um reducionista que acho duro mas tem lá suas verdades embutidas, o famoso “não confio em homem que não bebe”. Eu já gostava dele, tempos depois descobri que Hemingway tinha falado “cuidados com arroubos dos bêbados, mas mais cuidado ainda com a frieza dos abstêmios”. Edmund Wilson disse outra vez “você compraria um carro usado de um homem que não bebe?”. O primeiro escreveu O velho e o Mar, o segundo organizou as idéias de toda uma geração com Rumo à estação Finlândia. Sei não, estes caras devem saber alguma coisa. Mas o reducionismo do Luiz Soares que lembro em época de eleição municipal deixou de ser como tal e, hoje o tenho organizado de forma mais elaborada, no sentido maior. A sentença original é que “o problema todo é Brasília”. Começa a graça da coisa aí no simplismo do enunciado. Em que contexto pode ser citada? Se refere à problemas nacionais? Etc. Resposta: em qualquer contexto diante de qualquer problema. Todo absurdo que virou a vida nacional é culpa de Brasília. A centralização é o mal estrutural e ai poderia ser centralizado em Cuiabá, em São Paulo, em Poconé, que seria ruim. Ao centralizar a receita o país ficou de joelhos para Brasília. Só que o poder lá não se dá de acordo ao jogo democrático, é definido pela esperteza, o lobismo, que acabam impregnando as decisões tomadas com estas práticas. De repente a moça bonita do protocolo joga um papel tão importante quanto o cara do setor de empenho de rubricas orçamentárias, que por sua vez sabe mais que o ministro que acabou de ser nomeado vindo da presidência de um sindicato do interior de Santa Catarina, com todo respeito ao catarinenses. O isolamento de Brasília e sua vida peculiar, sua arquitetura idem a faz potencializadora do problema. Um lugar sem boteco favorece a dissimulação. Até o cigarro que se fuma é vendido por delivery, em restaurante, boate etc. Aquele jeito de morar todos juntos cria uma feudalizaçao da vida, onde impera o tal “não mexe comigo que eu não mexo com você”. Ai o pequeno infrator que achacou três mil reais do prefeitinho do interior acaba protegendo o diretor do Banco Central que aumentou 0,75% a taxa SELIC e fez a festa da banqueirada. Se fosse no Rio na primeira caminhada no calçadão da orla, ele, este diretor, levaria uma bengalada na cabeça de um aposentado pendurado no consignado. E não adianta correr se for jantar na Lagoa, o flanelinha puto com a queda do movimento risca o carro dele. Na musica do Chico Buarque o prefeito fica de joelhos para Geni uma prostituta maravilhosa e cândida que dorme também com o banqueiro e o bispo. Em Brasília é qualquer burocrata que humilha nossos governantes municipais. Acho que o prefeito é grande autoridade das nossas vidas. Não tem como não lembrar do Franco Montoro gritando nas convenções do PSDB e pregando descentralização : nós moramos nos municípios, ninguém mora em estado e nem em país. Ele cuida das catástrofes, da luz da rua, do esgoto, do ensino fundamental, da infância etc. Dão a ele este mundo de coisas para cuidar e manda ele ir Brasília buscar dinheiro e falar com aquela moça bonita do protocolo ou aquele burocrata de terno bonito e sapato com solado de borracha. De repente um idiota qualquer, ministro por conveniência para compor a tal base de sustentação parlamentar(não confundir com negociação política), acaba virando cidadão honorário em todas cidades do pais por conta das liberações do seu ministério, confundindo o rumo didático da historia. Lamentavelmente é neste quadro que começa a corrida eleitoral para as prefeituras das nossas cidades. Aprofundado por uma gestão federal que agregou ao centralismo da receita que herdou, o aparelhismo da ação do aparato arrecadador, da policia e de setores do ministério público. * PAULO RONAN é economista [email protected]

Edição EDIÇÃO 16967




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