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ARTIGO
Sexta-feira, 24 de Outubro de 2014, 21h:17

TÂNIA NARA MELO

Difícil decisão

Bem que tentei escrever sobre algo que não nos remetesse à dura tarefa que teremos no domingo de decidir que rumo queremos para o futuro do país. Depois de um bom tempo de escreve, deleta, escreve, deleta, vi que não tinha jeito mesmo: o assunto do momento é a eleição do novo presidente da República. Dilma ou Aécio: quem escolher? Embora pareça simples escolher, afinal foram meses de propaganda, com dezenas de promessas de ambos os lados, decidir o que é o melhor para o país não é tarefa nada fácil. Antes de fazer sua escolha, é preciso analisar bem as propostas dos postulantes a comandar o destino do país nos próximos quatro anos e avaliar se de fato elas podem se tornar algo concreto. Na fase do ‘eu prometo’ muito do que foi dito não passa de fantasia, na tentativa de dar ao eleitor a sensação de que ele de fato vai ter mais saúde, mais educação, mais segurança, mais transporte, mais moradia e muitos outros mais, mais, mais. É bem verdade, não há como negar, que tanto Dilma quanto Aécio parecem estar cheios de boas intenções para melhorar vida dos brasileiros. Ambos falam em mudanças, e de fato precisamos de mudanças urgentes, pois do jeito que está não dá pra ficar. Mas todo mundo também sabe que de boas intenções o inferno está cheio. Então é preciso separar o joio do trigo, pesar os prós e os contras e fazer sua opção. Difícil? É difícil mesmo, todo e qualquer ato que requer um mínimo de responsabilidade nunca é fácil, e o ato de votar em alguém que vai fazer as escolhas sobre o que é melhor ou pior para as nossas vidas requer muita, muita responsabilidade. Ao apertarmos o botão na urna eletrônica estamos passando uma procuração de plenos poderes ao escolhido, sem direito a revogação. Talvez seja por essa responsabilidade que muitos eleitores optem por anular ou votar em branco, ou ainda aproveitar a mudança do feriado do dia do servidor público para segunda-feira e viajar nesse final de semana _ aliás, feriado é algo que brasileiro não dispensa _, e ao invés de votar, justificar o voto. Não votando eles transferem aos outros a responsabilidade da escolha e muitos justificam isso com o uso de velhos chavões do tipo ‘um voto apenas não faz diferença’ ou ‘o resultado já está definido mesmo, meu voto não vai fazer falta’. Ledo engano, qualquer voto pode fazer a diferença. Afinal, se somarmos todos esses votos o resultado pode ser surpreendente. Antes de se abster de votar ou ‘pegar a estrada’ seria bom o eleitor refletir sobre o que de fato quer para o país – pensar na coletividade de vez em quando não faz mal a ninguém – e decidir se ele quer fazer parte do processo democrático ou fazer tal qual Pilatos e simplesmente ‘lavar as mãos’. TÂNIA NARA MELO é editora de Opinião tâ[email protected]

Edição EDIÇÃO 16963




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