ARTIGO
Quinta-feira, 14 de Outubro de 2010, 20h:51
A
A
ROSIVALDO SENNA
(Des)banalização
Como já dizia o meu saudoso pai, mexer com gente não é nada fácil. E é verdade. Principalmente neste mundo globalizado de hoje, onde, lembrando um antigo refrão, estamos mais afeitos ao venha nós que ao vosso reino. E que nos perdoem os psicólogos, psiquiatras, pensadores, formadores de opinião, sociólogos, antropólogos e por aí afora. E que eles, na ânsia de desvendarem o que está acontecendo com a humanidade, simplesmente se complicam cada vez mais. Ou, no mínimo, abrem uma discussão de alto nível, bem distante de nós, simples mortais. Resultado prático que é bom, nada! E assim, sem qualquer intenção de plágio, caminha a humanidade. E tudo isso, sem sombra de dúvida, passa por uma palavra, de pronúncia fácil, mas de aplicabilidade muito difícil. E não deveria. Trata-se da palavra banalização que, segundo o dicionário, significa algo que teve sua imagem desgastada, ou algo de importância que se tornou menos importante pela exaustão da repetição sobre um determinado assunto. O que se ouve hoje é que com a internet, por exemplo, não podemos resguardar mais nada. Tudo fica a mostra. É também comum a presença de crianças ao lado de pessoas assassinadas ou atropeladas no meio da rua. Crianças acompanhando, seja pela internet e pela televisão, narrativas e casos de execução, estupros e outros tipos de violência nos seus mínimos detalhes. Já imaginaram o que isso representa para a mente de uma criança, principalmente naquela idade onde a mente está em formação? Já imaginaram como será dali pra frente a vida e o comportamento dessa criança? Ela perde muito cedo o sentido da vida e da morte. E tudo isso não se aprende na escola. A escola talvez pudesse interferir ou evitar este tipo de coisa se a criança ficasse mais tempo dentro dela e aprendendo, além do be-a-bá uma postura de cidadão integro. Não se limitar apenas em aprender matemática. A educação e a compreensão da vida não se resumem apenas ao estudo. Pelo menos da forma seletiva como vem sendo aplicada. Uns têm demais outros de menos. Talvez necessitemos de mais uma disciplina escolar. A da Postura, por exemplo, quanto se aprenderia, teoricamente, se possível na prática, onde começa e onde termina o seu direito. Ou seja, um estudo voltado mais para o lado humano das pessoas. E não vale essa de que tudo está perdido. Talvez nesta geração tudo seria muito difícil. Até impossível. Mas poderíamos aplicar este novo entendimento nas crianças que nascerão daqui pra frente. Somos otimistas e acreditamos, ainda, na humanidade. Já pensou, uma criança voltar a ter medo do Bicho-papão, da Mula-sem-cabeça do lobisomem, ao invés do Caveirão ou do traficante que pode matar você e toda sua família?... *ROSIVALDO SENNA é Editor de Nacional, Internacional e Veículos do Diário