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Cuiabá MT, Segunda-feira, 22 de Junho de 2026

ARTIGO
Sábado, 18 de Dezembro de 2010, 13h:05

EDUARDO GOMES

De engatinhar

Santo desconfia de muita esmola e não se deve beber uísque paraguaio. Recorro a essas máximas populares para analisar a visita do ministro dos Transportes, Paulo Sérgio Passos, na segunda-feira (20), no Palácio Paiaguás, onde lançará a construção da ferrovia de Rondonópolis a Cuiabá e a duplicação da BR-364/163 no trecho entre aquela cidade e Posto Gil, numa extensão de 400 km. Sou totalmente favorável a essas obras. Mas diante da realidade orçamentária nacional e da razoabilidade logística entendo que no primeiro momento a construção da ferrovia canibaliza - no melhor sentido da palavra - a modernização da rodovia. Com o trem apitando em Cuiabá boa parte dos bitrens deixaria de percorrer o trecho até Rondonópolis. Esse cenário melhora ainda mais com a conclusão do asfalto entre Nova Ubiratã e Paranatinga; com os trilhos da Ferrovia de Integração Centro-Oeste (FIC) cruzando Cocalinho, Água Boa, o Médio-Norte e o Chapadão do Parecis. A duplicação da 364/163 consumiria R$ 1,2 bilhão, recurso que se destinado a outros trechos (BR-174 Colniza-Juruena-Castanheira e BR-080 Matupá-Confresa) revolucionaria nossa logística de transporte. Dono de invejável currículo e apontado como maior autoridade do setor de Transporte no Brasil, Passos ainda tem a seu favor a malemolência da Boa Terra – onde nasceu - por ele muito bem adaptada nos meios meios onde milita. Observo que em tese o projeto da ferrovia paralela com a rodovia duplicada é bom, mas o acho desaconselhável no momento. Para Cuiabá o trem é pedra angular. No entanto, a duplicação perde sentido com a ferrovia, porque 70% de seu tráfego é pesado e em sua quase totalidade seria literalmente transportado para os vagões. A extrema generosidade ao apagar das luzes do governo Lula é uma forma do presidente dizer que há vida após a morte, nesse caso a transmissão do poder para sua companheira presidente Dilma Rousseff. Porém, acho que a nossa classe política precisa de cautela para não se deixar embriagar com uísque de Cidade do Leste, porque a dor de cabeça no dia seguinte é terrível e, em alguns casos, sua ressaca descamba para diarréia, vômitos, tonturas e complicações gástricas. Na árvore de Natal de Mato Grosso queremos o trem apitando no Coxipó e R$ 1,2 bi em obras rodoviárias dispersas. O problema é que não há recursos para tanto, pois o PAC-2 é sonho. Prudentemente fico com o pé atrás pela boa oferta de Passos imaginando que esse anúncio é presente de grego de Lula para Dilma, que mesmo sendo “Mãe do PAC” não conseguirá fazê-lo engatinhar. Eduardo Gomes é jornalista [email protected]

Edição EDIÇÃO 16967




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Você acredita que a Ferrovia Vicente Vuolo vai chegar a Cuiabá?
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Tanto faz. Em MT, os políticos não ligam para a obra
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