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Cuiabá MT, Segunda-feira, 22 de Junho de 2026

ARTIGO
Sábado, 21 de Agosto de 2010, 12h:04

EDUARDO GOMES

De afastado

Geraldo Ribeiro não voltou para casa pela primeira vez nos 36 anos em que esteve a serviço do maior estadista brasileiro. Um ônibus da Viação Cometa dirigido por Josias Nunes Oliveira tocou na traseira do Opala dourado que dirigia. Com a colisão o automóvel cruzou o canteiro da Via Dutra, entrou na pista oposta e foi colhido por uma carreta. O acidente, por volta de 18 horas do dia 22 de agosto de 1976, no Km 165, perto de Resende (RJ), ceifou a vida de Geraldo e de seu passageiro, amigo e confidente Juscelino Kubitschek de Oliveira. O Brasil chorou. O rosto do povo cobriu-se de lágrimas. Brasil tinha sede de JK e o arbítrio não teve força para conter o grito de dor das ruas. A terra vermelha do cerrado abriu seu ventre em Brasília para receber o corpo do construtor daquela cidade. Arcanjos e querubins curvaram-se à porta do céu enquanto anjos entoavam o Peixe Vivo à espera do conterrâneo mais ilustre do anfitrião. Não há uma cidade ou vila sequer com o nome de JK em Mato Grosso. Nenhuma grande escola, ponte, rodovia, aeroporto ou conjunto habitacional lhe rende homenagem. Essa indiferença tem que ser substituída pelo conceito que deve nortear o procedimento dos entes federativos com os grandes vultos nacionais. Antes de JK Mato Grosso era pouco mais que referência geográfica no Brasil litorâneo e que não avançava além das montanhas de Minas, muito embora aqui, nesta terra quente, acolhedora e berço do marechal Cândido Mariano da Silva Rondon - no plano doméstico - houvesse organização social com qualidade de vida. Com Brasília JK interiorizou o Brasil e rasgou rodovias em todos os sentidos promovendo a integração nacional. Por tais obras Rio Branco, Porto Velho e Cuiabá ganharam caminho por terra ao Planalto Central. Incorrigível visionário e ardoroso defensor da integração, JK incluiu ao Plano Rodoviário Nacional a Rodovia BR-163 Cuiabá-Santarém, que 53 anos após sua idealização desafia governos e governantes. Mato Grosso precisa refletir sobre JK. Essa reflexão certamente corrigirá a injustiça até agora cometida com a memória do presidente que fez o Brasil avançar 50 anos em cinco. Seguramente ao refletir sobre JK Mato Grosso mostrará a Cuiabá que é preciso reverenciar a memória de seu filho mais ilustre, Rondon, que juntamente com o presidente que o Brasil perdeu há 34 anos é mantido afastado da memória coletiva no centro geodésico do continente. Eduardo Gomes é jornalista [email protected]

Edição EDIÇÃO 16967




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