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ARTIGO
Terça-feira, 12 de Novembro de 2013, 21h:30

MOISÉS MARTINS

Das Lendas Cuiabanas

Contam os mais antigos que alguns soldados do 16º Batalhão de Caçadores, hoje 44º, situado no antigo bairro Lava-pés, hoje bairro Duque de Caxias, vinham correndo até a beira do rio Cuiabá. Certa manhã, um grupo composto de 21 soldados, no cumprimento dos exercícios costumeiros do Batalhão, viera correndo até o cais do Porto, logo ao lado, onde se atracava a Barca Pêndulo, que com a ajuda de cabos de aço fazia a travessia do rio Cuiabá. Inaugurada em 1874, indo e vindo de Cuiabá a Várzea Grande, transportando pessoas e mantimentos. Em lá chegando o grupo mergulhou nas águas caudalosas do rio Cuiabá. Rio de Integração Nacional, que recebe o rio Paraguai, o São Lourenço, unindo-se a outros rios, chegando à Bacia do Prata, entre os países Uruguai e Argentina. Ao mergulhar o grupo, desapareceu nas águas, surgindo imediatamente, no local, onde os corpos mergulharam, vinte e uma pedras emergindo do rio, surgindo então na historicidade do rio Cuiabá a famosa pedra 21, local onde antigamente as lavadeiras desciam o cais do Porto, lá batiam as roupas e se ouvia o cantar das mesmas, como se acompanhadas pela marcação da batida das roupas nas pedras. Desde menino escuto o contar desta lenda, como se verdadeira fosse, transfixando de lenda para história de um povo, na sua essência, altamente religioso e mítico. Inclusive, um povo sem suas crendices e lendas é semelhante a um corpo sem alma e sem sensibilidade. O cuiabano de “tchapa e cruz” conhece esta e outras lendas, que fazem parte do lendário da cidade. Hoje, lamentavelmente, as coisas atinentes à nossa cultura, à cultura cuiabana, são escamoteadas, dando lugar a outros assuntos, haja vista que a nossa musicalidade, nossos costumes e nosso linguajar aos poucos desaparecem nas brumas do tempo. Atualmente, no facebook, surgiu um grupo fechado intitulado Galera do Porto, que busca preservar através de troca de informações assuntos atinentes à nossa cultura. O nosso Diário de Cuiabá é um dos componentes jornalísticos, que abre suas páginas para recepcionar as coisas de Cuiabá, e eu sou eternamente grato a este jornal, quando sob o comando do cuiabaníssimo Adelino Praieiro publicou de capa a capa o meu opúsculo intitulado a força da fala no dizer cuiabano, pois, à época, não encontrei nenhum patrocínio para a publicação da obra, e o Diário de Cuiabá acreditou e publicou, como disse, o meu pequeno livro. Abre ainda suas páginas, para a Academia Mato-grossense de Letras e autores cuiabanos, como se vê a pretexto de uma simples lenda, a sensibilidade explode, as informações acontecem e Cuiabá nos seus quase 300 anos, sempre esperançosa, continua sua caminhada, na qualidade da eterna Capital do estado de Mato Grosso, onde se inicia o verdadeiro Pantanal. Dá licença, como diria Aquilino, o engraxate, garoto-propaganda! Que venham nossos irmãos patrícios de todo rincão brasileiro, que tragam nos seus “baquités” suas lendas, miscigenado e respeitando as nossas. Triste foi ver a alegoria de lendas cuiabanas na concepção carnavalesca da Mangueira. Mas tudo vale a pena se a alma não é pequena, na visão do poeta português Fernando Pessoa. Que possamos preservar e difundir nossas lendas e crendices, em amor aos nossos filhos, netos e gerações futuras! MOISÉS MARTINS é escritor

Edição EDIÇÃO 16966




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