A proposta do MEC (Ministério da Educação) para a unificação dos vestibulares de universidades federais provocou mudanças no setor que teve que se adaptar as novas regras, algumas instituições aderiram outras não. O Enem surgiu em 1998 com a proposta de avaliar a qualidade do ensino médio no Brasil, tendo como base a aplicação de uma prova anual padronizada. Ao contrário da maioria dos vestibulares, em que cada disciplina tem seu próprio caderno, a prova do Enem não traz essa diferenciação. Justamente porque a ideia é priorizar a interdisciplinaridade, a avaliação de competências e não apenas de conteúdo. O Enem também pode auxiliar o estudante na continuidade dos estudos, já que sua nota é considerada por várias instituições de ensino superior em todo o Brasil, bem como pelo ProUni (Programa Universidade Para Todos). Apesar dos benefícios trazidos para alguns estudantes como a possibilidade de se candidatar a cinco instituições diferentes, aumentando as chances de ingresso em uma universidade esse sistema tem tido problemas como mostra em um breve resumo, Ivan Marsiglia: Em outubro de 2009, o principal instrumento de avaliação dos conhecimentos do ensino médio do governo federal foi cancelado após uma reportagem do Estado, revelar que a prova tinha vazado. Em dezembro do mesmo ano, o Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira), responsável pelas provas, divulgou o gabarito errado e seu presidente pediu demissão. Em janeiro de 2010, o sistema online do MEC para candidatura a vagas nas universidades federais usando o Enem travou e estudantes levaram até 14 horas para fazer a inscrição. Em fevereiro, um equívoco na digitalização das redações levou à divulgação errada das notas de 915 estudantes. Em agosto, vazaram dados pessoais de inscritos nos anos de 2007, 2008 e 2009. E, nessa semana, erros no cartão de resposta fizeram a Justiça do Ceará suspender o exame liminarmente - decisão derrubada apenas na sexta-feira (12/11) pelo Tribunal Regional da 5ª Região. No momento a notícia que veicula é que os estudantes que fizeram a prova amarela farão uma nova prova, trazendo mais desgaste aos candidatos. Como se pode notar em um exame de tamanha amplitude garantir a mesma segurança necessária para um vestibular pode comprometer sua credibilidade e quando está se falando em segurança, não é só a de fraude não, é a da questão correta, do gabarito correto, da prova redigida e revisada. Por isso é necessário que se adotem mecanismos mais eficientes de segurança. Os organizadores já tinham a experiência dos problemas enfrentados anteriormente, por isso os erros cometidos esse ano não se justifica. Tiveram praticamente um ano de preparo, tempo mais que suficiente para elaboração, revisão e guarda dessas provas para que não apresentassem nenhum erro e nenhuma violação. Para que o Enem possa continuar sendo adotado, é necessário que haja mais comprometimento, que as provas quando cheguem às mãos dos alunos, estejam corretas. Porque senão, o que veremos é aluno insatisfeito, revoltado, decepcionado, inseguro sentindo-se lesado, com um grande desgaste emocional e protestando contra essas falhas como aconteceu em ao menos cinco capitais do país, incluindo a capital mato-grossense. Por isso será preciso que para o próximo ano os organizadores do Enem, tomem algumas medidas, simples, mas eficazes como depois de impressa as provas seja feita uma revisão juntamente com os gabaritos para ver se não há nenhum erro, guardar em cofres, muito bem fechados para que não haja vazamento. São medidas que se adotadas pode reduzir em muito os problemas e assim o exame receber a credibilidade que deseja. Mas se no próximo ano isso não acontecer, se os erros forem muitos, todos devem se unir e dizer não ao Enem. * ROSEMARI PELISSARI é professora da rede estadual de ensino
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