ARTIGO
Quinta-feira, 11 de Novembro de 2010, 20h:04
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JOSÉ ARIMATÉIA
CPMF de novo?
O Estado ainda não aprendeu outro meio de solução financeira para acudir a crise na saúde e outras áreas sociais a não ser criar novos impostos, tributando o setor empresarial e produtivo o que na ponta agride o bolso do trabalhador, mesmo o Brasil já tendo uma das maiores cargas tributárias do planeta. Ao invés de combater a corrupção, o empreguismo, o desperdício de recursos, a má gestão, que são geradores de um alto custo operacional, optam agora pela volta da CPMF com nome modificado. Os bandidos do esquema sanguessuga agradecem pela obtenção de mais recursos para chafurdarem na lama da corrupção. Será lamentável se a presidenta eleita, com apoio de governadores e parlamentares, iniciar o mandato com a pecha da figura diabólica do JUDAS profissional. Começa aí a evidência maior de como o partido vencedor e seus aliados, usaram o pragmatismo interesseiro do êxito eleitoral, inconfundíveis em seus propósitos de permanecerem no Poder. Na campanha todos eram contrários a criação de novos impostos. Enquanto a Nação clama pelas reformas, vê-se já nas ações e afirmações da presidenta eleita e sua equipe de transição, que elas não acontecerão. As mudanças serão pontuais. As reformas ora clamadas pela sociedade não representam perigo, anarquia ou ruína, são pelo contrário, a preservação da autoridade governamental e a sedimentação do nosso futuro constitucional. Elas consagram as aspirações republicanas. Garantem a honra e a estabilidade das instituições. Por isso urge as discussões e aprovações das mesmas. Se assim não agirem, levará a sociedade a crer, que os políticos que pertencem aos partidos que vão ocupar e lotear o próximo governo, ignoram a questão da moralidade, o que outrora foi bandeira de luta do PT e do PMDB, os dois manda-chuva da maquina administrativa federal. Estão agora propensos a abraçarem a questão da utilidade, da necessidade individual, modificável segundo as exigências da ocasião, praticando despudoradamente o cinismo. Espera-se que não queiram modificar a base do nosso regime. A sua única base é a democracia. Na administração dos interesses da sociedade, a soberania do povo é fundamento principal. É o alfa o omega, o principio e o fim. Nenhuma autoridade, seja ela qual for, tem o direito de burlar esta supremacia, transformando-se num golpista. Necessário se faz que a sociedade, ordeiramente, combata, através de suas organizações mais este possível estelionato eleitoral, tão comum nas ações da maioria dos políticos brasileiros e que é apoiado por incautos e desinformados. Que a presidenta eleita Dilma Rousseff tenha a coragem de opor-se a esta deslavada proposta, que se aprovada e sancionada, macula no nascedouro o governo da primeira mulher escolhida pelo povo para comandar o destino do Brasil nos próximos quatro anos. * JOSÉ ARIMATÉIA Ex-deputado estadual