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ARTIGO
Sexta-feira, 12 de Agosto de 2011, 20h:03

PAULO ZAVIASKY

Covardias históricas

No ano de quarenta e dois a firma Coimbra Bueno recebeu a incumbência de Júlio Müller de construir a primeira ponte sobre o rio Cuiabá. Na mesma hora, os proprietários de lanchas, canoas e balsas, entre vários outros modos de transporte fluvial que viviam desse comércio em nosso rio, urraram feio. Gritaram duro! Estranhos comerciantes alegavam que Cuiabá jamais precisaria de uma ponte nem em mil anos. Urraram que a sombra da ponte mataria todos os peixes, mudaria a temperatura do clima cuiabano, produziria chuvas de gelo que destruiriam nossos telhados... Haveria até terremoto e possíveis inundações e que se tornaria um elefante branco inútil para sempre. Missas, orações, macumbas, congá - aquela quimbanda do seguidores de umbanda – e, enfim, aquela gritaria dos canoeiros e pescadores em que a mais engraçada das alegações era de que a ponte serviria apenas para empurrar Várzea Grande, impedindo-a de se aproximar de Cuiabá. Até a Marinha, a Aeronáutica e os dois pilotos do único hidroavião existente protestaram pelo terrível medo em construírem estradas que acabariam com seus serviços aéreo-fluviais utilizando-se de nosso rio Cuiabá como campo de pouso. O interventor Júlio Muller, que era um homem político e estadista alfabetizado, ao contrário de hoje, sabia rufar os punhos na mesa do progresso e do futuro de nosso povo. Naquele episódio, assim se expressou: “- Mais um desacato dos padres italianos, dos pastores americanos, dos pilotos cariocas e dos ribeirinhos interessados nas profissões fluviais daqui, principalmente nas santas missas ou nos púlpitos ou nos terreiros, contra a ponte, eu mesmo tiro a calça deles em público e lhes darei trinta “chineladas” com o meu “tamanco”. Exatamente isso! Construíram a ponte. Nunca foi elefante branco. Ao contrário. O próprio Júlio Müller disse ao nosso povo que ele tinha apoio do irmão Filinto Müller e de toda a bancada de MT no Congresso. Ao contrário de hoje, que não ouvimos um pio de “nossa bancada” cega, surda e muda, aí incluindo o Pedro Taques e o Maggi, únicas esperanças nossas e que poderiam mudar o ponteiro da balança. Quando Júlio Müller determinou a construção do Liceu Cuiabano, depois Colégio Estadual e agora, novamente, modificado para Liceu, foi um deus-nos-acuda, pois achavam que só havia burros por aqui e que o colégio era “grandão muito bastantão” que jamais teria uma só sala com alunos suficientes... Hoje, até aquele “asfalto de cimento” na Av. Vargas é o original daquela década de quarenta. Os modernos para a época Asilo das Crianças e o Abrigo dos Velhos, o Cine Teatro Cuiabá, o Grande Hotel de Mato Grosso, apelidado, pelo luxo, pelos jogos e roletas sofisticadas de “O Cassino da Urca”, chique toda vida; a ex-residência oficial dos governadores, Arsenal de Guerra, Delegacia Fiscal do Tesouro, obras do estadista Júlio Müller, tudo debaixo de críticas covardes, sem fundamentos, de interessados em corrupção e propinas, como hoje, doença que sempre existiu, além dos interesses pessoais dos detratores de Cuiabá. E, afinal, nenhum elefante branco. Mais recentemente, o cuiabano presidente da República, marechal Eurico Gaspar Dutra, construiu, em 1950, o Maracanã do Rio de Janeiro e nem colocaram seu nome por lá. Mas, mandou, como sempre o digo aqui, uma carroça cambaia de dinheiro para a construção nesta sua terra natal de outro Maracanã por aqui. Alguns “desportistas” daqui mesmo acharam um exagero. Ficaram com todo o dinheiro e localizaram um charco imundo, lodo pantanoso e o cercaram com arame farpado e ainda fizeram “festa de inauguração” ao que chamam hoje de “Estádio” Presidente Dutra, para a vergonha de nossa história... E, dele, nosso Dutra! As razões de sempre: elefante branco. Mais recentemente, com o aeroporto que deveria estar na rodovia de Chapada, lindo e espaçoso local ideal, pois gritaram que apenas meia-dúzia utilizaria as aeronaves; com o “Verdão” pantanoso que o dinamitaram. Aconteceu com a Rodoviária e com a ferrovia do Vuolo e até com a Igreja Matriz de Cuiabá que impediram de ser construída no majestoso local onde o papa João XXIII rezou a Santa Missa. Agora, dizem que o VLT que o mundo está adotando é uma porcaria para Cuiabá... * PAULO ZAVIASKY é jornalista [email protected]

Edição EDIÇÃO 16967




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Você acredita que a Ferrovia Vicente Vuolo vai chegar a Cuiabá?
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Não. A Rumo já sinalizou que não é uma prioridade
Tanto faz. Em MT, os políticos não ligam para a obra
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