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ARTIGO
Segunda-feira, 29 de Julho de 2013, 19h:52

ADILSON ROSA

Copeiro ou professor?

A Assembléia Legislativa abriu concurso público para mais de quatro centenas de vagas e o que mais chamou a atenção é o salário de copeiro – R$ 2.200, mais que o piso de 40 horas para professor com nível superior. Ao contrário de que muita gente imagina, trata-se de um salário justo. O que está errado, na verdade são outros salários e não o do copeiro. Essa distorção tem que ser visto do lado de quem ganha menos e não quem ganha menos. Temos que compreender que o professor está ganhando um salário irrisório e guardadas as proporções, levando em conta as responsabilidades das duas profissões, a carga horária e principalmente a formação acadêmica, o salário do professor deveria ser três vezes maior. Ora, sabemos que professor algum da rede pública – no caso municipal e estadual – não tem esse valor na tabela, nem mesmo as categorias finais ou mesmo com mestrado. Por aí, entendemos que existe alguma coisa errada. Na verdade, são várias coisas erradas. Levando em conta que essa discrepância é histórica, uma vez que salários dos três poderes não tem isonomia -, será sempre assim. O copeiro ganhando salário digno e o professor menos – mas muito menos mesmo – de um salário adequado a sua função e importância social. Entre os mais tradicionais subterfúgios – afinal é preciso dar uma explicação ou mesmo justificativa -, está o fato de no Executivo o número de servidores ser infinitamente menor o que pode proporcionar um pagamento mais digno. Por outro lado, as redes municipais e principalmente estaduais de ensino possuem quadros de profissionais da educação de milhares e milhares de servidores – incluindo professores – o que não é possível ter um pagamento adequado. E não adianta dizer que um profissional bem remunerado não resolve o problema. Como afirmar isso se o professor nunca teve um salário digno? Os nossos políticos não querem pagar pra ver, literalmente. O problema é que o tempo vai passando e um dia a conta chega e cara. Para se ter idéia, o Brasil avançou nos últimos 20 anos, mas a educação freou o desenvolvimento do país no período, segundo o IDHM 2013. São duas décadas, duas gerações perdidas. Até quando? ADILSON ROSA é repórter

Edição EDIÇÃO 16967




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