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ARTIGO
Quarta-feira, 29 de Setembro de 2010, 19h:49

SONIA FIORI

Conversa de salão

Dizem que a voz do povo é a voz de Deus. Pois bem, é bom prestar atenção no que diz a voz do povo também no período eleitoral, ou principalmente nesta fase de escolhas dos representantes da sociedade. No último fim de semana, lá estava eu em um salão de beleza, em Várzea Grande. Dizem que salão é lugar de fofocas, mas as “informações” ali coletadas muitas vezes são de grande valia. Distraída com uma revista na qual tentava prestar atenção em matéria de âmbito nacional, a respeito do escândalo da Casa Civil que derrubou Erenice Guerra, tive minha atenção roubada por uma conversa paralela. Uma senhora deu início a uma prosa com a cabeleireira que a atendia, perguntando a ela em quem votaria. De prontidão a funcionária do salão respondeu “fulano, cicrano e beltrano” – se referindo a candidatos que concorrem no Estado aos cargos de governador, senador e deputado federal. A senhora reagiu: “é por isso que estamos vivendo assim, com pessoas nas ruas na mais triste miséria. É por isso que não temos um atendimento descente na saúde e nem vou falar da educação, que é uma vergonha. O brasileiro não tem consciência, não pensa, não analisa e não sabe votar”, disparou. Ela continuou: “vocês precisam parar e pensar, analisar quem são os candidatos, as propostas que eles tem e o que prometem fazer para melhorar o país e o Estado”, emendou. Diante de tão fortes argumentos, a atendente não rebateu, preferiu ouvir, dando clara demonstração de que poderia rever sua posição em relação à “lista” de postulantes. A senhora não se deu por vencida, mesmo vendo a expressão de contradição da cabeleireira e foi mais além. “É por achar que os representantes do povo devem fazer o máximo pela sociedade, sem criar vínculo, que não dou meu voto para um candidato duas vezes”. Na observação, ela acrescentou que a permanência nos cargos cria brecha para o oportunismo e em muitos casos, para a evidente corrupção. As palavras fortes daquela senhora aos poucos ecoaram no salão e algumas pessoas próximas entraram na conversa. Alguém rebateu: “a senhora precisa aprender a respeitar a opinião das pessoas. Cada um vota em quem preferir”. E ela respondeu com toda certeza de quem analisa criteriosamente um candidato: “sim, cada um tem o direito de escolher seu postulante. Só estou pedindo que pensem, que pesquisem quem são os candidatos, porque do contrário vamos continuar vivendo num país rico para poucos e miserável para a maioria. De que adianta bolsa disso ou daquilo se não se tem acesso a uma vida de qualidade. O problema é que o brasileiro se contenta com pouco”. Pensem nisso com carinho... * SONIA FIORI é repórter

Edição EDIÇÃO 16962




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