A tremenda encrenca armada pela incompetência, inabilidade, arrogância, improbidade de paredros políticos das diferentes tendências fez irromper no espírito popular a tese de que a solucionática como diria nosso Dario -, para toda essa problemática vai acabar sendo um plebiscito. Noutras palavras: uma consulta popular que contemple a possibilidade de os eleitores retornarem às urnas mais cedo do que o previsto. Seja para opinar sobre momentosos itens concernentes às indispensáveis e continuamente postergadas reformas, seja para apontar futuros governantes. Tem-se a esta altura como certo que um grupo representativo de parlamentares, com articulações centradas no Senado, agregando apoio de lideranças influentes noutros segmentos da vida nacional, vem consagrando atenção especial ao assunto. O debate a respeito está colocado na mesa. E muitos adeptos da ideia não se furtam a fazer públicas suas opiniões. O senador Cristovam Buarque, ex-ministro da Educação, é um deles. Sustenta que, na atual conjuntura, o ideal é partir para novas eleições e o plebiscito é uma saída para viabilizá-las, pois está previsto na Constituição. Acrescenta que ao povo caberá decidir sobre o mandato que ele mesmo outorgou. João Capiberibe, senador pelo Amapá, é outro defensor da proposta de antecipação eleitoral. Criticando o governo interino de Temer pela sucessão de equívocos e pela dubiedade das decisões, sugere que o plebiscito seja realizado em 2 de outubro, concomitantemente com as eleições municipais. Diz ainda que falta aprofundar o debate sobre o modelo das novas eleições, se serão para um mandato-tampão de dois anos ou para um período maior. Não carece de dúvida mínima que Dilma Rousseff, mesmo na remota hipótese de vir a ser-lhe favorável a votação plenária sobre o impeachment no Senado, não disporá de condições de governabilidade, por ausência de apoio popular e político. Por outro lado, a administração Michel Temer não tem como, obviamente, garantir-se no comando administrativo por período mais dilargado. Revela-se igualmente desprovida de respaldo popular, maculada por gritantes contradições entre o que é anunciado e o que vem sendo efetivamente executado. Seus arranjos partidários em nada diferem dos esquemas fisiológicos condenados nas manifestações de rua ansiosas por transformações. O plebiscito afigura-se, à vista dessas sonoras constatações, meio razoável de se desfazer o nó da crise política. Uma eventual eleição a médio prazo, com aval popular, poderá ser o caminho constitucional adequado para a dissolução de impasses daninhos que, neste preciso instante, comprometem barbaridade a atuação produtiva da Nação. O desencanto popular com a conduta de políticos é enorme, sabemo-lo. A consciência cívica e o sentimento democrático repelem acordões que possam abrandar as ações da Justiça contra corruptos e corruptores. Mas não desprezam a possibilidade de um acordo político estribado no bom-senso para a encrenca em que nos achamos mergulhados. A consulta plebiscitária é o caminho apontado. A decisão sobre os rumos a seguir fica com o povo, melhor dizendo com o poder supremo do País. * CESAR VANUCCI é jornalista
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