Nessa última madrugada de quarta-feira (11) houve a pré-estréia do quinto filme da saga do Harry Potter. Mesmo antes de entrar no cinema, já era claro perceber como o público dos filmes classificados como infanto-juvenis está mudando. Isso demonstra que não são só as pessoas que estão mais abertas a novos assuntos, como também a qualidade do conteúdo e produção melhorou muito nos últimos tempos. Na fila do cinema de filmes como Senhor dos Anéis, Shrek e até mesmo de filmes infantis da Disney, percebemos não mais um público classificado pela idade. Hoje é normal nos depararmos com pessoas mais velhas, pais e até avós do fiel público antigo. O que é mais notável na mudança é o roteiro e linguagens. Assistindo a Shrek 3 é fácil notar os diferentes assuntos abordados na animação, questões antes só vistas em filmes adultos. Como, por exemplo, a questão da paternidade, o medo de ser pai. E até mesmo a traição de uma amiga pelo poder. Todos tendo como protagonistas personagens de famosos contos de fadas. É, até os contos infantis cresceram. Essa mudança é muito positiva. O cinema também deve evoluir de acordo com as transformações naturais da sociedade. É claro que uma criança de 10 anos ainda não passa por certas situações descritas no filme, mas com certeza já se deparou com muitas delas, e isso faz com que reflita naturalmente em sua vida. Nenhuma dessas questões é mais tabu para elas, ou assunto proibido para crianças. Ingênuo são os pais que acreditam que seus filhos só conhecem o que eles apresentam. E dentro de todo esse universo novo infanto-juvenil há muito espaço para pessoas mais velhas, que naturalmente se identificam com a mensagem e se encantam com os efeitos e a tecnologia usada nas animações e filmes. Senhor dos Anéis, que certamente seria apenas um filme infantil há algum tempo, arrecadou US$ 1,8 bilhões só com os dois primeiros filmes da trilogia e com o terceiro filme O Retorno do Rei, ganhou 11 Oscars, incluindo o de melhor filme do ano de 2004. Não só um lucro escandaloso, até para o mundo de Hollywood, como também empatou com Ben Hur e Titanic como o filme com mais Oscars na história. Isso demonstra que até os magnatas do cinema se renderam às estórias infantis, assim como as estórias infantis se renderam ao mundo dos adultos. CATARINA MACIEL é estagiária de jornalismo