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Cuiabá MT, Terça-feira, 16 de Junho de 2026

ARTIGO
Terça-feira, 29 de Setembro de 2009, 01h:32

RENÊ DIOZ

Cidade remendada

Às vezes tento imaginar como seria meu olhar de Cuiabá caso fosse um forasteiro passando por suas ruas. Sou nascido aqui e acredito que um olhar de fora costuma ser mais crítico. Acontece que na maioria dessas vezes, chego à conclusão de que minha primeira impressão como um hipotético “pau rodado” seria de que nossa Capital é repleta de remendos mal feitos. O modo de dizer assusta e gera alguma indignação, mas basta sair às ruas para confirmar a constatação, considerada exagerada por algumas pessoas com quem converso. O pior é que essa saída à rua, hoje em dia, nem precisa ser muito longa ou para muito longe. É suficiente que eu dê apenas um passo para fora de minha casa. O panorama desanimador de infra-estrutura largada ao acaso está logo ali: a íngreme rua Professora Tereza Lobo, no bairro Consil, onde moro desde que me entendo por gente, está fedendo insuportavelmente desde que a Prefeitura ali passou com remendos de quinta categoria. Acredite se quiser, o cheiro só começou por causa de obras mal feitas na estrutura da rua por conta da administração municipal. O que era pra ser um conserto saiu pior que a encomenda. Era melhor que não fizessem nada. Talvez, no teu bairro, tenha ocorrido algum episódio parecido, tão absurdo quanto. Veja só como foi no meu. Tudo começou com um buraco enorme aberto próximo a um poste de luz. Certo dia, um caminhão extremamente pesado ali estacionou e acabou destruindo a já mal feita calçada – que, até aquele dia, tinha quebrado o galho dos transeuntes legal. Feito o rombo, o poste ficou como se na beira de um precipício, podendo cair a qualquer momento. Esperamos quase um mês para que a rua fosse parcialmente interditada e as obras começassem. Mexeram nas tubulações de esgoto ao longo da rua e depois as cobriram com aquele asfalto “casca de ovo” do qual a população já está tão cansada. Depois disso, nossa rua nunca mais foi a mesma. Nunca convivemos com cheiro constante de fossa. Pelo contrário, a rua sempre foi bem quista pela tranqüilidade e por estar num ponto geograficamente privilegiado na cidade. Estamos perto da rodoviária, de um supermercado, de uma padaria, de uma academia de ginástica, da avenida do CPA, etc. Entretanto, agora corremos o risco de termos nossos imóveis e prédios desvalorizados no mercado imobiliário devido ao cheiro de fossa que se alastrou sem explicação após as obras da Prefeitura, a qual até agora não nos deu resposta decente sobre os remendos de mau gosto que fez. RENÊ DIÓZ é repórter

Edição EDIÇÃO 16964




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