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Cuiabá MT, Segunda-feira, 22 de Junho de 2026

ARTIGO
Sábado, 14 de Julho de 2007, 14h:03

ONOFRE RIBEIRO

Centro de Reabilitação: pra que mexer?

O Centro de Reabilitação Integral Dom Aquino Correa-Cridac tem sido vítima de casuísmos que, felizmente, não chegaram a acontecer. Há algum tempo, alguém teve a brilhante idéia de trocar-lhe o nome, sem nenhuma razão sólida. O Centro sobreviveu. Agora está sob nova ameaça. Querem transferi-lo para o antigo Hospital São Tomé, comprado atabalhoadamente pelo governo estadual, antes de dar-lhe uma destinação. Antes de tocar no assunto, é preciso recordar que o Centro de Reabilitação foi fundado em 1976, como uma referência em reabilitação no Centro-Oeste e na Amazônia. Hoje continua entre as quatro melhores instituições de reabilitação no país. Desde sua fundação, a sua história tem sido de ajuda e de profunda compreensão humanística, em todas as administrações estaduais. Mas isso se dá porque o conceito de reabilitação é o de reconstruir vidas. Definitivamente, reabilitação não é o mesmo que um hospital ortopédico, que é o destino que, certamente, terá no hospital para onde querem transferi-lo. O princípio da reabilitação obedece a três pontos: a fisioterapia, a terapia ocupacional e a oficina ortopédica. Funcionam em conjunto. A oficina ortopédica constrói e modifica aparelhos ortopédicos para atender às necessidades de pacientes, e tem feito milagres. Pelo que se vê, o Centro de Reabilitação Dom Aquino Correa é mais humanístico do que ortopédico. Ele trata do corpo, mas reabilita sentimentos e auto-estima. Bom, o próprio prédio onde funciona, tem uma história. Era a antiga cadeia pública de Cuiabá, um prédio histórico da região do Porto, que foi restaurado e adaptado para ser o centro de reabilitação. Um dos argumentos hoje usados para a possível transferência é a de que o prédio tem rachaduras em uma ou duas paredes. Se é um prédio histórico, tem que ser recuperado, e pronto! Aliás, a propósito de patrimônio histórico, ainda soa dolorido nos ouvidos da gente cuiabana a demolição da antiga catedral metropolitana, sob argumentos muito parecidos. No local onde se encontra há quase 30 anos o acesso dos pacientes é facilitado porque é central, ao contrário do que se pretende. A Confederação de Fisioterapia e Terapia Ocupacional está se preparando para mobilização coletiva, incluindo os técnicos do Centro de Reabilitação, contra a transferência. Porém, ninguém é contra a abertura de uma unidade no local desejado, como outras que existem em Cuiabá, Várzea Grande e no estado. Essa mania que se tem de mexer em coisas que dão certo para construir marcas dessa ou daquela diretoria, tem produzido besteiras formidáveis. Alguns trocam a logomarca consagrada de um órgão para atender vaidades pessoais e simbolizar mudanças administrativas que, definitivamente, não mudam a filosofia da instituição. Fica a advertência do corpo técnico e das entidades representativas, somadas ao bom senso. Deixem o Centro de Reabilitação Dom Aquino Correa no lugar onde sempre esteve, e esteve muito bem! * ONOFRE RIBEIRO é articulista deste jornal e da revista RDM [email protected]

Edição EDIÇÃO 16967




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