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ARTIGO
Terça-feira, 22 de Janeiro de 2013, 20h:48

GABRIEL NOVIS NEVES

Carnaval

“O Carnaval é a maior expressão da cultura popular brasileira”, assim observou Eduardo Portela numa das suas visitas à UFMT. Este ano a Escola de Samba Estação Primeira de Mangueira homenageará Cuiabá no desfile da Sapucaí no Rio de Janeiro. A poucos dias da festança, lá e cá há um silêncio sepulcral sobre esse acontecimento. Aqui, porque mudou a administração da cidade, e o orçamento da Secretaria de Trismo é invisível, não permitindo nenhuma ação comemorativa da nossa cultura. No Rio, porque essa arrumação é iniciativa do governo passado, e o atual quer primeiro saber em quanto anda o cronograma financeiro da “homenagem.” “Cuiabá, um Paraíso no Centro da América!” Este será o enredo da Estação Primeira de Mangueira. O seu samba tem como autores Lequinho, Junior Fionda, Paulinho Carvalho e Igor Leal, e como intérpretes Luizito, Zé Paula de Siena, Ciganerey e Agnaldo Amaral. “Ouçam o apito da sirene indicando que o trem verde e rosa vai dar a partida. Não cuiabanos! Não se trata da máquina de ferro e aço que há 150 anos é esperada ansiosamente, mas, quando a cortina de fumaça dos fogos de artifício se abrir e a penumbra se dissipar na Sapucaí, todos entenderão que o sonho é a verdadeira vitória sobre o tempo. Alegrai-vos, cuiabanos. O tempo da espera acaba aqui e agora!” Este é o texto que a Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro (Liesa-RJ) distribui ao mundo anunciando a presença de um “Paraíso no Centro da América, - Cuiabá!” Cid Carvalho, carnavalesco da Escola de Samba Estação Primeira de Mangueira, esteve duas vezes em Cuiabá, pesquisando a “liga” para a Mangueira chegar aqui. Segundo a Liesa, Cid Carvalho “Ficou impressionado com essa espera angustiante por um trem que simbolizava a integração da cidade ao resto do país”. E ainda acrescenta que “No encontro com o escritor cuiabano Fernando Tadeu, autor do livro “Sonhos e Esperanças de Cuiabá”, que detalha os diversos obstáculos geográficos e financeiros que impediram a construção da malha ferroviária e a chegada do trem do desenvolvimento, Cid fez-lhe uma promessa: ‘A espera acabou. Esse trem é a Mangueira, que partirá da Estação Primeira levando a sua alegria até Cuiabá’. Tadeu se emocionou”. A Liesa destaca também o comentário de Cid Carvalho de que “Até hoje, o trem é o brinquedo predileto de meninos e adultos que já foram meninos. É um símbolo que está presente em cada família cuiabana”, e que o mesmo promete “empreender uma viagem levando um trem de bambas até a cidade considerada o portal de acesso ao Pantanal, à Amazônia, ao Cerrado e a Chapada dos Guimarães – enfim, ao Paraíso no Centro da América.” Nas várias das comunicações a Liesa lembra que “Folclore, culinária e a envolvente dança do Siriri não faltarão”, ficando para o final das estações o anúncio de Cuiabá como uma das sedes da Copa de 2014, e que tudo isso promete no desenrolar “uma animada partida, onde o tatu é a bola, a cigarra é o juiz, o tamanduá é a bandeira e o craque é a cobra. Os locais enfrentarão o time da Rosa e Verde". A letra do samba-enredo é de uma beleza suave, ao refletir a natureza, e trazer o verde e rosa das casas, redes e varandas cuiabanas da Vila Real do Senhor Bom Jesus de Cuiabá. Nas estrofes, os mistérios, as lendas, as assombrações, o vapor, o apito, e os “causos” que inspiram a arte, a poética, e fornecem o doce dos temperos. No contexto, um convite para comemorar com São Benedito a chegada do trem do desenvolvimento, esperado por Cuiabá e, por que não dizer?, por uma grande parte das cidades de toda a América do Sul. Por fim, concluo com Mikhail Bakhtin que realmente “durante o Carnaval é a própria vida que representa, e por um certo tempo o jogo se transforma em vida real. Essa é a natureza específica do Carnaval, seu modo particular de existência”. * GABRIEL NOVIS NEVES, é médico é ex-reitor da UFMT [email protected]

Edição EDIÇÃO 16967




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