Viver é muito perigoso é a frase que escritor Guimarães Rosa colocou na boca do jagunço aposentado Riobaldo, no livro Grande Sertão Veredas. Um Riobaldo atual diria que candidatar a governador de Mato Grosso também é. Não perigo de morte, claro, porque os tempos são outros, mas um sério risco de ter a Polícia Federal ou o Gaeco na sua cola. Esta semana o Maurição de Água Boa, o maior leiloeiro de gado do mundo, levou uma boa paulada. Confiscaram parte de seus bens e interditaram sua empresa de leilões por conta de uma ação de crime ambiental que vinha sendo discutida há tempo. Parece, não garanto, que a ação ganhou rapidez a partir de sua insistência em candidatar-se a governador. Pode ser que a ação já estivesse madura para a sentença. De repente foi uma simples coincidência. Antes foi o com juiz federal Julier. Quando ele estava quase decidido a filiar-se ao PT e cheio de convites de outros partidos para alianças a casa caiu. A Polícia Federal fez uma busca no seu escritório, manchando o currículo de integridade. Foi um balde de água na fervura. Depois a mesma operação, cujo nome, Ararath, remete à Arca de Noé e ao monte onde teria aportado, pôs na alça de mira o empresário Fernando Mendonça, considerado coordenador da campanha do Senador Pedro Taques em 20l0, ou, no mínimo, como afirma a mídia, grande financiador dela. Mais um com fama de incorruptível sentiu o golpe e teve de dar explicações. Na sequência, o pré-candidato Lúdio Cabral recebeu sua dose. O multitarefa Éder Moraes foi surpreendido em sua casa, ainda de pijama, pela Polícia Federal com mandado de busca e apreensão. Éder foi coordenador da campanha de Lúdio à prefeitura no ano atrasado. Boquirroto como só, já mandou seu recado que não cai sozinho. Olha o Roberto Jeferson aí, Gente! (é carnaval e o Neguinho do Beija-flor pode cantar este refrão) Parece que agora ficou tudo nivelado. Pelo menos discurso todos têm para atacar o adversário. O que, na prática pode deixá-los mudos, seguindo o velho ditado que quem tem telha de vidro não joga pedra no telhado alheio. Claro que não estou afirmando a culpa de nenhum deles. O telhado de vidro, no caso, é a suspeita. Dos que têm maior visibilidade e chance para o cargo todos foram, de alguma forma, arranhados. Os quatro, direta ou indiretamente, sofreram alguma avaria. Mas os danos distribuíram-se igualitariamente. O jogo continua. O Eraí, que teve seus dias de glória, está apagado. Tudo indica que recolheu as armas. Ou será que vendo a barba do vizinho arder, colocou a sua de molho? Quase todo grande empresário tem ações em discussão na justiça. Cautela e caldo de galinha... O mês de março promete muito. Notícias não faltarão. A política e a Copa vão dar muito que falar. Ou escrever. *RENATO DE PAIVA PEREIRA empresário e escritor
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