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Cuiabá MT, Terça-feira, 16 de Junho de 2026

ARTIGO
Sábado, 04 de Julho de 2009, 10h:40

PAULO ZAVIASKY

Cafuçu

O primeiro camelô que vi na vida cuiabana foi de uma vizinha na pracinha da igreja “Boa Morte”. Dona Marcolina. O alemão Kolhase já tinha seu armazém por ali. Aprendi com o tempo que os camelôs sempre compram mercadorias do e no Paraguai e as vendem por aqui por dez vezes mais. Além de não emitirem notas fiscais, garantias, tudo na base do “fio de bigode” que nunca funciona. Até pouco tempo, as empresas “de fora” faziam ginásticas e malabarismos para tentarem abrir uma filial por aqui, sem sucesso. A barreira que o comércio daqui sempre fez contra o comércio externo representa uma página interessante na sociedade cuiabana. Sem concorrências, muitos viveram dando as cartas. Hoje, tudo é diferente. Até os camelôs se sindicalizaram. Mas, fui comprar uma máquina fotográfica digital em nosso “camelódromo” e acabo de descobrir que a dita cuja é mais cara ali do que em certa loja de informática de prestígio daqui, no centro comercial da cidade. Com impostos pagos, garantia e segurança da fonte/fábrica. A mortalidade infantil em Cuiabá é um espanto. A Junta Comercial é que constatou isso. Você compra um computador pela manhã numa dessas moderninhas lojas de informática. À tarde, você nota um defeito que sempre há nessas compras de ponta de rua e retorna depressa até a loja. A placa com o nome da loja já não existe mais. É uma lavanderia. A mortalidade infantil que a Junta Comercial se refere é isso. A loja nasce pela manhã, vende o que puder, respira fundo e morre antes de completar um dia de nascida. À noite já é outra firma. Nem vou falar sobre o abuso das filas de bancos, os preços que nunca estão nas mercadorias expostas nos shoppings, apesar de ser lei; nem a grande mentira do atendimento telefônico arrotado pelo próprio presidente, hoje desconcertado; nem tampouco relatar o drama das assistências técnicas daqui e por aqui. Cito apenas que o incauto cidadão contribuinte que acredita nas leis compra inadvertidamente, por exemplo, uma impressora HP... Está ferrado! Na hora da venda é aquela pressa danada e atendimento com água quente e café gelado bonito. Depois... Bem, depois adeus! Só a empresa HP, fabricante que fica nos quintos dos infernos, é que passa a atender você. Pelo telefone das teclas do tempo do hospital dos loucos. Dois a três meses, caso tiver sorte e conseguir detalhes da compra, como por exemplo, a cor da cueca do vendedor, caso contrário, desligam na sua cara. Empresas que mais proliferam por aqui são as de “segurança”. Tentem, como eu, instalar uma só câmera de “segurança” em Cuiabá. Logo após o último carnaval tentei isso. Até hoje não conseguiram terminar. E o culpado é sempre você que tem família, trabalho e responsabilidade. A desculpa é sempre a mesma... “-Ora, o senhor não estava atendendo na madrugada do dia tal”... Ou a pérola: “-Nossa equipe esteve aí no domingo na hora do almoço e não tinha ninguém para nos atender”. E ainda possuem o luxo de afirmarem que possuem várias equipes, equipes “Águia”, “Swat”, “Estrela”, “CIA” ou equipe “secreta Ômega”... Compre móveis e os deixe para sempre desmontados, estacionados no chão da casa. Os montadores jamais irão a sua casa. As “promoções” das TVs a cabo, telefones. Eletricistas que apenas pegam o dinheiro para comprar os fios e os escambaus e somem para sempre. Compre um carro. Sentiu o problema? É isso mesmo. Você compra um carro de determinada potência e só no meio da subida da serra de Chapada percebe que foi enganado. O “três ponto zero” é apenas “um ponto zero”. Agora, pergunto: tente devolver! E um bando de gente só dando entrevistas, maquiados, cabelos armados, cílios postiços, batom e argamassa de cimento puro na cara de pau afirmando que são “protetores dos animais humanos” e fiscais disso tudo. Na verdade, eles pensam que todos nós somos cafuçus. * PAULO ZAVIASKY foi servente de pedreiro [email protected]

Edição EDIÇÃO 16963




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