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Cuiabá MT, Segunda-feira, 22 de Junho de 2026

ARTIGO
Quinta-feira, 03 de Julho de 2014, 19h:42

EDUARDO PÓVOAS

Bihetinho pro meu pai

E aí cara? Tudo bem? Faz um tempão que a gente não se fala né? Não, não te esqueci, era que alimento com todos as proteínas, hidratos de carbono e gorduras minha vontade de te ver, que às vezes envolvo-me tanto por esse desejo, que me enclausuro imaginando esse momento. Aproveitando hoje seu aniversario, queria te falar um pouco sobre sua cidade, a mesma que você não vê por longos onze anos. Está acontecendo coisas que vem transformando essa sua velha e querida Cuiabá, principalmente seu amado bairro do Porto que só vendo pra você acreditar. Passará em frente à casa em que nasceu um moderno meio de transporte que te faria lembrar do velho bonde em frente ao sobrado da Casa Orlando. Este, o único da América latina bem diferente daquele que você viu, puxado por burros. Lembra-se quando eu e meus amigos esperávamos você acordar nas tardes de domingo e após darmos uma “manivelada” no seu velho Ford bigode dirigíamos para o Estádio Presidente Dutra para assistirmos uma partida do Campeonato Cuiabano? Hoje iríamos a um estádio construído para sediar uma Copa do Mundo. O Verdão, que você conheceu, erguido atendendo um dramático apelo do nosso povo, foi teimosamente colocado no chão e no seu local construída a nova Arena, que nós cuiabanos jamais admitiremos que o nome de Jose Fragelli se desvincule dela. Ah velho, como eu gostaria de estar adentrando à essa Arena, hoje chamada Pantanal de mãos dadas com você. Queria ver sua expressão facial quando pelos corredores deparasse com as arquibancadas e o gramado e sentir os batimentos do seu coração. Uma obra que projeta internacionalmente nossa tricentenária capital. Na nova Arena, existe camarote com buffet, e as cadeiras são numeradas, modernas e confortáveis. O caminho que nos levava ao Parí, na chácara do Sr. Ditão para pegarmos passarinho, não existe mais. Por ali tem novas pontes, pista dupla asfaltada e uma novidade para a cidade, as trincheiras. Quando por cima ou por baixo dessas obras eu passo, converso sempre com você e pareço escutar seu pedido de passar de novo para melhor observar uma obra que nunca você pode imaginar ver aqui. Tenho absoluta certeza de que o seu coração também bateria descompassadamente como o meu. Lembrar que vivíamos em uma cidade que a luz se apagava as dez da noite, que deveríamos esperar a barca pendulo trazendo os bois abatidos no “saladeiro” e esperar no campo de aviação (esse era o nome de Aeroporto à época) que se localizava na hoje Vila Militar assistindo sob aquela poeira enorme a descida de um DC3 da Panair ou da Cruzeiro do Sul, é gratificante ver a nossa querida cidade mudando sua cara. É a chegada do progresso, após quase três séculos de atraso. Tá ficando bonita, como sempre sonhamos.Como seria bom pegar meu carro e com você em a mãe, vivenciar tudo isso. Como seria bom eu poder te mostrar pessoalmente isso tudo sem necessidade de te mandar este bilhete. Já que Deus me impediu disso, saiba que hoje como nunca, sua imagem, seus conselhos e seus abraços me confortam e me trazem saudades imensuráveis. Hoje no almoço, sua cadeira estará vazia ao meu lado, porem meu coração continua e continuará sempre cheio de amor e de saudades de você meu pai! * EDUARDO PÓVOAS, filho de Lenine Póvoas

Edição EDIÇÃO 16967




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