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Cuiabá MT, Domingo, 21 de Junho de 2026

ARTIGO
Terça-feira, 31 de Março de 2015, 19h:40

EVERTON CARVALHO

Até quando pagaremos com vidas?

Tenho acompanhado a cobertura da imprensa mato-grossense quanto aos assuntos relacionados ao desenvolvimento de Mato Grosso. Na semana passada, a convite da Câmara dos Vereadores de Campo Novo dos Parecis, participamos de evento sobre o Macrozoneamento daquele município, ocasião na qual proferimos palestra sobre o processo de Desenvolvimento Sustentável do município e daquela macrorregião. Ao retornar do município, por volta das 17h, fomos informados pelo motorista que não poderíamos seguir por Barra do Bugres, pois havia ocorrido um grave acidente entre um ônibus e uma carreta carregada de algodão com mortos e feridos - (objeto de notícias na mídia) - e então seguimos via Guia, e ao chegarmos próximo de Cuiabá, outro acidente nos obrigou a ficarmos parados por mais meia hora. Acredito que estes dois acidentes não são mera coincidência, mas sim produto das péssimas condições de tráfego nas nossas estradas e o aumento do fluxo nestes últimos anos, sem que a nossa infraestrutura rodoviária acompanhasse esta expansão em termos quantitativos e qualitativos. Isto está relacionado com os temas que tratamos em Campo Novo, pois a produções de commodities em nosso Estado cresce e sustenta em grande parte a balança de pagamento do país (o superavit de Mato Grosso em 2012 totalizou US$ 12,3 bilhões, 63% do superavit nacional, que foi de US$ 19,5 bilhões). Em 2013, no período de janeiro a julho, enquanto a balança comercial brasileira amargou um deficit de US$ 3 bilhões, a de Mato Grosso apresentou superavit de US$ 7,5 bilhões. Isso significa que, sem a contribuição do Estado, o deficit nacional ultrapassaria o valor de US$ 10 bilhões). Além das exportações, Mato Grosso já funciona como um celeiro de alimentos para o mercado interno. Somente para registro, a produção de Campo Novo cresce na média em 15% ao ano, e de acordo com a LCA, a economia de Mato Grosso deve crescer 10% em 2016, taxa chinesa de crescimento econômico. Portanto, não é justo que Mato Grosso seja penalizado pela falta de projetos e investimentos na nossa infraestrutura, e ainda estamos pagando com vidas (de 2011 a 2013 pulamos de 1083 para 1162 acidentes, e claro, mais acidentes continuam a ocorrer). Sabemos que os custos de escoamento da nossa produção para os portos do Brasil são os mais altos do país, quiçá do mundo (frete total para a China: Sorriso - US$ 190; Córdoba - US$ 102; Illinois - US$ 64) - então, temos uma situação grave, que exige um posicionamento muito forte das autoridades de Mato Grosso, parlamentares, setor produtivo, meios de comunicação e sociedade em geral, pois pelo fato de termos uma população relativamente pequena, não nos é dedicada a devida prioridade para os investimentos federais necessários para reverter este grave quadro, que pode até "matar a galinha dos ovos de ouro". Enfim, na qualidade de presidente da ABIDES, iremos desenvolver uma campanha denunciando esta situação altamente negativa para o Desenvolvimento Sustentável de Mato Grosso. Saudações Sustentáveis. * EVERTON CARVALHO é engenheiro, presidente da Associação Brasileira de Integração e Desenvolvimento Sustentável

Edição EDIÇÃO 16967




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