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ARTIGO
Sexta-feira, 10 de Maio de 2013, 21h:18

MAURO CALIL

Anatomia de um golpe

Seja pela minha caixa postal, Twitter ou Facebook, recebo diariamente consultas sobre diversos temas financeiros. Um tema em especial, de um novo golpe financeiro, chamou a minha atenção nos últimos meses, pois tem aumentado. E tenho recebido essas mensagens de diversas partes do país e com características muito próximas, por vezes até idênticas. Funciona assim: alguém próximo à potencial vítima comenta sobre os maravilhosos investimentos que está fazendo com um grupo de empresários da cidade. Empresta dinheiro a juros para a elite, que remunera 4% ao mês e paga certinho. Todos os meses, o investidor sabe o quanto possui. Não há risco, afinal, são pessoas que possuem reconhecida reputação e alto patrimônio. A vítima se interessa e pergunta sobre as garantias. Sempre ouve dois tipos de respostas, primeiro que o negócio tem contrato registrado em cartório e, inclusive, chega a ver o documento, com as firmas reconhecidas e os carimbos de cartório. “Não há erro”, pensa a vítima. A segunda resposta é de que essas pessoas, consideradas influentes, não aceitam emprestar dinheiro para qualquer um. É preciso uma indicação e uma entrevista com um representante do grupo para checar se você entende e tem condições de participar deste seleto grupo que, afinal, não é para qualquer um. A aura de sedução em fazer negócios e obter o lucro é grande, assim, a vítima começa a insistir com seu amigo para que este sugira seu nome para a entrevista. Após algumas semanas, a vítima é entrevistada e entrega R$ 20 mil, R$ 50 mil, assina um contrato que tem registro em cartório e já faz planos do que irá comprar quando sacar o dinheiro. Esse golpe possui algumas características comuns a todos os golpes, primeiro precisa de uma promessa de ganho fácil e elevado que valha e turve a visão dos riscos, neste caso, juros de 4% ao mês vindo dos bolsos da elite da cidade. Segundo, precisa ter características de garantia, por exemplo, um contrato registrado em cartório e com firma reconhecida de um devedor muito rico. O terceiro elemento é o aliciador e o quarto, uma vítima gananciosa. Mas, neste caso, onde está o golpe afinal? Vamos dissecá-lo: Todo conto do vigário reside no fato de que a vítima é gananciosa e se acha muito mais esperta que o vigarista, por isso é chamado de “otário” pelo golpista. O contrato registrado e com firma reconhecida, assinatura esta que pode ser de um homônimo e não do próprio empresário, nada mais é do que uma prova inconteste que a vítima é um agiota, ou seja, um criminoso perante as leis brasileiras(Lei nº 1.521, de 26 de dezembro de 1951, Art. 4º, Letra a). No Brasil, emprestar dinheiro a juros é crime e, portanto, a vítima nunca poderá reclamar seu dinheiro a menos que queira se explicar ao Ministério Público. A única alternativa, já arquitetada pelo golpista, será trazer outro “investidor” para receber uma parcela do que for investido pela próxima vítima, ou seja, formar uma pirâmide financeira, o que é outra ilegalidade. Todos sabem que não existe uma receita mágica para ganhar bons lucros. Sendo assim, aqueles que desejam prosperar financeiramente devem buscar conhecimento, entender sobre os produtos financeiros e sempre procurar ajuda profissional. Por isso, atenção a qualquer promessa de ganho fácil! *MAURO CALIL é palestrante, educador financeiro, fundador da Academia do Dinheiro, e autor dos livros "Separe uma verba para ser feliz" e "A receita do bolo”

Edição EDIÇÃO 16962




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