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Cuiabá MT, Segunda-feira, 22 de Junho de 2026

ARTIGO
Quinta-feira, 22 de Março de 2007, 20h:33

LEITOR

Aliados querem barrar nomeação de Pagot

“Em toda história de Mato Grosso, somente o dr. Frederico Campos teve livre acesso ao Planalto, e agora o governador Blairo Maggi e sua equipe de comando, capitaneada pelo dr. Pagot. E, neste momento em que se fala na nomeação do nosso eminente secretário de Educação para ocupar o importante cargo de diretor-geral do Dnit, tradicionalmente ocupado pelos mineiros ou paulistas, ligados a grandes construtoras de terraplanagem e pavimentação, é hora de nossas bancadas federal e estadual, unidas, cerrarem fileiras para emplacar o dr. Pagot como nosso representante em Brasília. Mato Grosso só tem a ganhar com essa indicação. Vamos pensar grande e defender os legítimos interesses do nosso Estado. O povo está de olho em quem defende Mato Grosso.” SAMUEL LEMES SILVA, engenheiro, Cuiabá/MT [email protected] *** “É triste ver que, quase sempre, os nossos políticos trabalham contra os interesses do Estado. Quem sabe serão aliados dos outros Estados, que não querem Pagot no Dnit? Parece que existe um medo de novas e competentes lideranças. Mato Grosso não é o burgo pobre de meia dúzia de pessoas que, mesmo eleitas por nós, se julgam donas do Estado. Em sentido oposto ao que esperamos deles, remam tendo como horizonte seus próprios interesses. Torço para que Pagot vá para o Dnit. Quem for contra, manifeste-se aberta e publicamente. Se tiver coragem...” ORIANA PAES DE BARROS, advogada, Cuiabá/MT [email protected] Sem biotecnologia, O Brasil perdeu US$ 8 bi “Precisamos ver o lado do consumidor também, não apenas o lado financeiro. Em análises laboratoriais realizadas pela Secretaria de Estado de Agricultura e do Abastecimento do Paraná para verificar o nível de resíduos de glifosato em grãos de soja transgênica da safra 2005/2006, os resultados não foram nada animadores com relação à qualidade da mesma. O glifosato é o ingrediente ativo do herbicida que também é utilizado para o controle das plantas daninhas que infestam a lavoura da soja e que se não forem controladas causam perdas na produtividade das lavouras. Na soja convencional, o controle das plantas daninhas com este tipo de herbicida é realizado antes do plantio da soja, para evitar o contato do mesmo com a soja, pois, se isso ocorrer, o glifosato extermina a soja. A vantagem é que o agricultor plantando a soja convencional produzirá uma soja de melhor qualidade, pois não apresentará resíduo desse agrotóxico. Quando a mesma for colhida, será comercializada sem a presença de resíduo do glifosato e quem ganha com isso é o consumidor. A soja transgênica (geneticamente modificada) é resistente ao glifosato, e a utilização desse agrotóxico é feita depois que a soja já germinou e cresceu, portanto a aplicação do glifosato atinge também as folhas da soja e não mata a mesma, mas em contato com as folhas ele é absorvido e passa a circular dentro da planta, e quando da formação dos grãos de soja o mesmo poderá permanecer nos mesmos na forma de glifosato, na forma do seu metabólito Ampa - ácido aminometil fosfônico (subproduto do glifosato) ou podem permanecer o glifosato e o Ampa. Das 149 amostras de soja coletadas pelos engenheiros agrônomos da Divisão de Fiscalização de Insumos da Seab e que foram encaminhadas para o laboratório, detectamos resíduos de glifosato em mais de 70% das amostras analisadas e destas em 7 amostras encontramos resíduos acima do permitido pela Anvisa – Agência Nacional de Vigilância Sanitária, que é de 10 mg/kg de grãos de soja. Os resultados em excesso apresentaram teores entre 14,44 a 36,00 miligramas por quilograma de soja transgênica. Para que a soja transgênica fosse liberada no Brasil, a Anvisa teve que aumentar o LMR - Limite Máximo de Resíduo de 0,2 para 10 miligrama de glifosato por quilograma de soja transgênica. Se assim não fizesse, mais de 70% dessa estaria condenada e deveria ser destruída. Quer dizer: teve que elevar o limite de resíduo em 50 vezes. O que quer dizer 0,2 mg/kg – diz que para cada 1 milhão de gramas de soja só é permitido que se encontre no máximo 0,2 gramas de resíduo de glifosato no produto. Para se ter uma melhor idéia, é como se comparássemos a décima parte de 2 milímetros numa régua com 1 quilômetro de comprimento. Aqui dá para se ter uma idéia da potência deste agrotóxico, e o mesmo é classificado pela Anvisa como menos tóxico do que muitos dos agrotóxicos utilizados hoje na agricultura. E ainda assim foi aumentado em 50 vezes seu nível de tolerância de contaminação na soja. Outro problema é que estamos detectando também resíduos do seu metabólito Ampa e que desconhecemos o grau de toxicidade do mesmo em relação ao ser humano e à sua persistência no meio ambiente. Enquanto já tivemos a devolução de milhares de toneladas de soja pela China no ano de 2004, por contaminação com os agrotóxicos Carboxin e Captan e que esta soja deve ter ido para a mesa dos brasileiros. E, hoje, as mais poderosas associações de produtores e de cooperativas agrícolas da Europa pedem que a Comissão Européia suspenda a importação de produtos alimentares do Brasil, devido à contaminação com produtos químicos e pelo fato de que no Brasil o monitoramento de resíduos é pouco efetivo, continuamos a produzir alimentos contaminados. Em breve, teremos restrições à exportação da nossa soja, se medidas drásticas não forem tomadas com relação à contaminação da mesma com glifosato. Deve ser reavaliada pelo governo federal a liberação da soja transgênica no Brasil. Este é também um dos motivos que no porto de Paranaguá não pode ser misturada a soja transgênica com a soja convencional pois, se o país importador analisar em laboratório se a soja contém resíduo de glifosato, certamente só encontrará na soja transgênica e se estiver misturada será condenada toda a carga. Os efeitos toxicológicos do produto são: inflamação da garganta, dor abdominal, vômitos, erosões (esôfago, estômago e faringe), edema pulmonar, pneumonia, oligúria, anúria, hipertensão e insuficiência renal.” REINALDO ONOFRE SKALISZ, engenheiro agrônomo, Curitiba/PR [email protected]

Edição EDIÇÃO 16967




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