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ARTIGO
Quarta-feira, 09 de Julho de 2008, 21h:22

ONOFRE RIBEIRO

Ainda sobre reflexões políticas

Sobre o artigo “Cervejaria e reflexões inevitáveis”, publicado neste espaço no último dia 8, recebi uma infinidade de e-mails. Recordo ao leitor que associei naquele artigo o tipo de desenvolvimento industrial que está se instalando em Mato Grosso, às práticas políticas ainda vigentes em muitos guetos do serviço público e de mandatos parlamentares, completamente dissociados da nova realidade. Tomo a liberdade de transcrever dois e-mails entre todos: Do arquiteto José Antonio Lemos, moderador do grupo de discussões “defesadematogrosso”: "Enquanto isso Cuiabá é enxergada pelos políticos apenas como um trampolim para o governo do Estado. O que interessa é ganhar as eleições. Só conchavos. O que fazer pela cidade é assunto de segundo ou terceiro plano e, quando acontece, já é visando à próxima eleição. As questões estratégicas passam batidas. Nada que tenha um tempo de maturação superior a dois anos interessa. Assim, porque discutir a integração continental via rodovia ou hidrovia? O aproveitamento do centro geodésico da América do Sul? Porque discutir a ferrovia, ainda que seja a mais viável das ferrovias? Porque se importar que o fabuloso investimento – cada um muito maior que qualquer cervejaria - no gasoduto e termelétrica esteja parado por falta de gás porque o governo federal resolveu não colocá-los como prioritários em suas negociações com a Bolívia? E ninguém, ninguém (dos políticos) se importa com isso. Se fosse em Marte, teria mais atenção. O gás pode trazer para Cuiabá a esquecida fábrica de fertilizantes da Petrobrás e um sem número de outros empreendimentos. Mas isso não rende votos para as próximas eleições. E o aeroporto internacional, o 17º mais movimentado do país, cujas obras não terminam nunca? E o Porto Seco de Cuiabá, que poderia ser um instrumento poderoso de alavancagem de outros empreendimentos? Não se vê uma voz cobrando incisivamente estas questões. Se pela mãozinha do Senhor Bom Jesus de Cuiabá um desse empreendimentos sai, aí é uma briga para sair na foto da inauguração. Já os líderes do interior brigam por tudo que interessa para seu município, não importa se é federal, estadual, ou particular, time de futebol, desfile de miss, etc. Para os políticos de Cuiabá e Várzea Grande o bom é pintar meio fios e remodelar praças já prontas e bonitinhas. Dão placas, inaugurações, discursos e votos. Fazer praças novas, já é complicado. Demora muito. " Do leitor Enildo Martins: “Ainda não será com essa industrialização que renovaremos nossos quadros políticos. Duvido mesmo que empresários sejam bons políticos dada a sua miopia, sempre focada no lucro e não no eleitor, ou seja, empresário perde a longo prazo. Desse modo, vejamos o exemplo de Lucas do Rio Verde, com população de 40 mil habitantes e preparada para 400 mil, ou seja, 360 mil serão atraídos pelas indústrias e duvido-dê-o-dó que os políticos locais, sulistas enriquecidos, consigam lidar com essa massa de novos luverdenses, notadamente nordestinos empobrecidos. Quer dizer, se por um lado demonstram planejamento a longo prazo, por outro lado ainda é duvidoso que consigam manter o poder político, indutor desse planejamento de reprodução do capital, daqui a 5 eleições, ou 20 anos. Agora, acredito que o poder político mato-grossense deva ficar nas mãos dos matuchos ricos por alguns anos até que os nordestinos, vindos nessa leva de verticalização, assumam esse controle político.” * ONOFRE RIBEIRO é articulista deste jornal e das revistas RDM e Centro-Oeste [email protected]

Edição EDIÇÃO 16967




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