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ARTIGO
Sexta-feira, 28 de Março de 2008, 21h:33

ADILSON ROSA

Acordo à vista

Falta muito pouco para que o Governo do Estado e o Sintep fechem um acordo salarial inédito. Para o pedido do piso de R$ 1.050, falta R$ 148 ou cerca de 15%. A distância parece grande, mas na prática, está em torno de 10% porque em maio do próximo ano haverá um reajuste de cerca de 5% que é a reposição da inflação do período. E os 10% restantes podem ser parcelados em três vezes de 3,35% ou 4 de 2,5% num período de 15 meses. De qualquer forma, pode parecer muito pouco, mas se fosse pouco mesmo, o Governo já teria sentado à mesa e assinado o acordo. Muito mais importante do que estabelecer um piso salarial de R$ 1.050 para os professores, a iniciativa seria a primeira vez que um acordo coletivo entre governo e uma categoria chegaria aos 100% pedidos. Geralmente os servidores pedem 100% e o governo oferece 20% e as partes acabam chegando aos 35%. Isso depois de muitos dias ou de até semanas de greve, passeatas, carreatas, apitaços, assembléias, noites sem dormir, sem falar em mais e mais assembléias, ou nas ameaças de demissão e corte do ponto. De qualquer forma, seria a primeira vez que uma categoria conseguiria 100% ou o pedido inteiro. Do outro lado do balcão, seria também a primeira vez que um governo concederia um aumento total. Bom, na verdade, para os dois lados, uma situação das mais raras. No caso dos professores estaduais, a proposta não determina uma data específica, mas sim o valor do piso. Nesse impasse todo, o secretário de Educação, Ságuas Moraes, está se mostrando muito habilidoso ao conduzir as negociações - ainda bem que o governador Blairo Maggi não designou outro secretário, que se mostrou desastroso em outras situações. O Sintep também não mostrou radicalismo, mas as atitudes de sempre - nunca aceitar na primeira negociação. O lucro seria de ambas as partes - dos professores porque conseguiram um piso, uma luta nacional e poderia estimular os colegas de outros estados; e o governo, porque ficaria numa situação confortável com o governo federal e seria exemplo para Lula. E isso se traduziria em mais verbas para a educação e ficaria na história como o governo que aprovou o piso salarial pedido pela categoria. Essa não é a primeira vez que o Sintep luta por um salário digno tendo um piso de referência. Há exatos 22 anos, conquistou na greve o piso de três salários mínimos vigentes (R$ 1.236 em valores atuais), numa época em que a inflação era galopante e qualquer aumento, em pouco tempo, virava pó. Hoje a situação é outra. Em 15 meses, o valor de compra será praticamente o mesmo. Muito mais do que um piso salarial, será uma eterna conquista. ADILSON ROSA é jornalista

Edição EDIÇÃO 16967




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