ARTIGO
Segunda-feira, 17 de Dezembro de 2007, 18h:22
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ROBERTA GUAZZI BIRAL
A poesia em tempos de indigência
A poesia jamais perdeu o seu brilho, os olhos dos receptores é que se ofuscaram. Ela persiste nos tempos, pois enquanto existirem ou resistirem valores haverá poetas. Estes, que com suas obras conseguem intermediar a Terra aos céus, tornando as lidas diárias mais brandas e os corações mais fervorosos. É, contudo, inegável dizer que o índice de pessoas com fome em nosso país aumentou e, como se isso fosse possível, elas buscaram se alimentar de prosas políticas, banalizando a poesia em sua própria existência. Para valorizar então a poesia é importante vivê-la, permitindo que os colores e horrores da vida entrem em cada ser, criando sensações variáveis e intensas. O começo dessa transformação cabe a todos, porém o incentivo primordial observa-se que é do professor. É ele quem deve promover a intimidade da poesia com os alunos, carentes estes muitas vezes de tantas coisas, como o vestir, o comer, o brincar, entre outros, menos de esperanças. Quando refere-se, dessa forma, à poesia de sala não é aquela tão somente das escolas literárias, com vocábulos e atitudes em desusos, cronogramas e estilos, mas também e principalmente aquela que retrata a miséria atual, as dores atuais, os clamores dos oprimidos e banidos, os disfarces do preconceito, a hipocrisia da veia política e aquela em que os alunos afirmam: Parece que foi feita para mim! A poesia não preconceitua pessoas pela cor, opção sexual, raça, credo, ou classe social, pois ela vem do alto (sublime intelecto) para se igualar e se encaixar ao meio social e suas mazelas. Por isso, cabe a todos, até mesmo àqueles que se mostram impermeáveis a sentimentos. Por mais absurdo que pareça, eles também almejam em seu íntimo a paz e buscam o amor. Ler ou ouvir qualquer poeta retratando práticas simples como acordar e sentir o sol, usando uma ótica diferente do que a todos parece, chama a atenção, faz refletir, ir além e descobrir novos meios de ser feliz. Lair Ribeiro, palestrante internacional, autor e médico, certa vez afirmou em um dos seus fascículos que em uma taça com água até a metade, há quem enxergue metade dela cheia e há quem enxergue metade dela vazia. Sendo assim, o importante da poesia é levar a interpretar a vida sob mais de um olhar para que, partindo disso, a pessoa tenha a oportunidade de escolher o melhor para sua realização. Fiel a esta proposta, a poesia mantém ainda hoje o seu caráter reflexivo, ela continua reluzente. Há a cada dia novas obras (anônimas ou não) que são enormes feitos de criticidade e sonho, realidade e fé. São elas, portas que precisam ser abertas, mas antes de tudo, vistas. * ROBERTA GUAZZI BIRAL é professora graduada em Letras