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ARTIGO
Quinta-feira, 06 de Agosto de 2009, 21h:49

FÁBIO MONTEIRO

A nova vida de pai

Há exatamente seis meses que vivo uma nova vida: ser pai. Confesso que estou ainda em fase de aprendizagem. Para ser mais exato, como um neófito no assunto, estou mais para uma criança entrando no pré-primário. A única diferença é que desta vez estou adorando. Antes de casar, sempre pensei que ter um filho era algo longínquo, que só poderia ocorrer depois dos 30 anos. Porém, ao colocar a aliança no dedo esquerdo, a luz geradora foi acesa e o tempo se encarregou do restante. Hoje, com minha filha em casa, completando seis meses nesse planeta azul, pergunto-me diariamente: será que a felicidade existia antes, ou seria um mundo ilusório, onde o maniqueísmo pueril fora objeto de atenção sem reconhecer as belezas que sempre existiram, por uma simples falta de atenção. Talvez um pouquinho de cada elemento, mas é um sentimento novo, que se encaixa ao escutar o primeiro choro do bebê, e você descobre que o Mundo é inexplicavelmente belo. Outra mudança notória em minha vida foi na questão tempo. Uma dilatação quase palpável das horas e dos dias. Recorro-me à memória e vejo tantas coisas que aconteceram nesse espaço. Sempre que me perguntam como está a sua filha? Minha resposta é a mesma: Você tem tempo? Pois como vou resumir em poucas palavras o que realmente acontece a cada dia, as coisas que ela já começou a descobrir, as gargalhadas ao fazer gracinhas nela, a careta que fez com a primeira papinha, o resfriado que tivera, a satisfação em ‘chupar’ a primeira carne, os gritos que aprendeu a dar, a forma que aprendeu a sentar, rolar, as risadas que dá ao acordar... Podemos ver que nem neste texto conseguirei sintetizar tantas emoções que estão guardadas. Alguns podem até achar que é bobagem, ou perda de tempo uma conversa com uma pessoa como eu. Mas acreditem, não existe melhor coisa em ser pai do que babar. Recomendo a todos essa experiência. Quem já é pai sabe das coisas boas dessa ‘profissão’. Existem coisas que só nós entendemos, como voltar para o trabalho e ver que na roupa ainda há manchas da batalha do almoço e sorrir sem ninguém entender o porquê. Ou ouvir as dicas de outros pais e pensar que você é muito melhor e conhece muito mais de crianças que todos os outros. Enfim, é nessa vida que me encontro atualmente e, mesmo sendo pai, alimento o sentimento de ser filho, em respeito e amor por aquele que me gerou e cedeu a oportunidade de estar aqui, hoje, compartilhando minha vida. Todavia confesso que estou vivendo momentos mágicos que não dá para discorrer em qualquer texto, independentemente do autor. A única conclusão que cheguei nessa intensa experiência que vivo é que não existem formatos, conduções ou maneiras de exercer esse santo ofício. Porém, tenho certeza que a forma está dentro e deve ser demonstrada na nossa conduta, que será exemplo para os filhos, ensinando-os que nosso mundo é de diferentes e diferenças e, portanto, respeito. Confesso que essa tarefa não é fácil, mas nem peço para ser, porque se não fosse desse jeito, a recompensa não seria vultosa. Ser pai é fantástico ou divino, dependendo do observador, no entanto, independente do adjetivo, sempre será uma dádiva, pois como já disse a escritora e compiladora do best-seller ‘Histórias para o Coração’, Elizabeth Stone, a decisão de ter um filho é muito séria. É decidir ter, para sempre, o coração fora do corpo. * FÁBIO MONTEIRO é jornalista, pós-graduado em marketing e comunicação social. E é pai

Edição EDIÇÃO 16967




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