Anos atrás, um conhecido meu resolveu gastar um pouquinho de dinheiro e lhe sugeriram a Europa para queimá-lo. Pessoa de posse, com um bom nível cultural, achou que isto seria gastar dinheiro, ao invés de pensar que estaria investindo e não gastando, em si, e na sua esposa. Na sua chegada em um rápido encontro que tivemos, perguntei a ele como foi à viagem, se gostou e se pretendia voltar. Quando ele começou a narrar sobre ela, cheguei a pensar que tinha amarrado meu burro no lugar errado. Perguntei, e Portugal, o que você achou do país, da sua gente, da sua história e da sua comida? Aí sim, o desastre foi total! Respondeu-me: Portugal, nunca mais volto lá, só vi coisa velha, até bonde ainda há por lá. A única coisa que presta lá é o bacalhau. Fui além e perguntei se ele teve oportunidade de degustar um bacalhau em uma das cantinas de Lisboa ao som dos capa preta da Universidade de Coimbra. Para minha surpresa e espanto ele me perguntou o que era capa preta. Claro, depois dessa aula de cultura que acabara de receber, só podia responder a uma figura dessas, que capa preta é uma variação de uma raça de cachorro. De que adiantaria eu dizer outra coisa. Naquela altura do campeonato seria dar pérolas à porcos! Enquanto a Europa tem no turismo uma de suas maiores fontes de renda, parece que nossa cidade tem o dom de derrubar coisas velhas. Coisas velhas na concepção do meu conhecido que detestou Portugal. Primeiro foi o crime, que avalio inafiançável, de derrubar nossa Catedral. Alegavam que estava para cair. E na Europa, as da idade média, milhares delas, de pé até hoje, recebendo um cem numero de turistas e rendendo divisas para o país? A demolição da nossa Catedral foi um absurdo. Poderiam pensar à época em uma restauração ou até a construção de uma nova e maior em outro lugar. Jamais demolir a que existia. Depois veio a Igreja da Nossa Senhora da Guia, na Avenida Fernando Correa da Costa, também derrubada pelo mesmo motivo. Aqui tive a chance de participar ao vivo de um programa na televisão com o pároco da época (se não me engano um Espanhol) e demonstrei a ele minha indignação por essa atitude. Não consegui convence-lo e a igreja veio abaixo! Se dependesse desses admiradores das coisas modernas, a Igreja de São Benedito corria sério risco de ser derrubada e lá se construir um Shopping Center. Estava muito velha! Que tal? Não sei de quem é a idéia ou a reivindicação de se implodir o Mercado Municipal, mas esse cidadão, ou esses cidadãos não sabem da importância dele à vida cultural da cidade. Ele só está na situação em que se encontra devido ao descaso do poder público. Transforma-lo em um, com as características do Mercado Modelo em Salvador, ou o Mercado Municipal de Fortaleza, onde nossa gente habilidosa possa expor e vender seus produtos, seria o reconhecimento e o respeito por quem anos atrás lá adentrava para adquirir os produtos que vinham da Serra acima e do Rio abaixo. Nós que já corremos o risco do Cine Teatro Cuiabá ter o seu nome mudado para Ruth Cardoso, (Senhora que nós todos devemos muito à ela pelos relevantes serviços prestados à cuiabania), talvez precisamos de um Prefeito que seja Professor de Matemática! * EDUARDO PÓVOAS, cuiabano
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