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ARTIGO
Sábado, 22 de Novembro de 2008, 12h:05

ONOFRE RIBEIRO

A crise chegou a Mato Grosso

A crise mundial está chegando de mansinho a Mato Grosso. Ela vem em cascata depois de ter começado nos Estados Unidos e se espalhado pelo mundo. O governador Blairo Magi que, antes de governador, é um homem de mercado, sempre foi cauteloso em tempos de crise. Em 2005, nas crises do agronegócio e da madeira, não fez pânico. Mas desta vez, numa entrevista ao jornal “Folha de São Paulo”, na semana que passou, ele desvendou a crise no estado. A gota d´água foi a retomada de máquinas agrícolas dos produtores inadimplentes pelos bancos ligados aos fabricantes “Case”, “John Deere” e “New Holland”, em pleno plantio de soja, antes do algodão e do milho. Começou em Rondonópolis, mediante ações judiciais, e os produtores inadimplentes foram para os cadastros de maus pagadores como Serasa. Para o governador, que também é grande produtor de soja, a agricultura vive "uma das mais graves crises das últimas décadas". A Federação da Agricultura do Estado – Famato, diz que 70% dos agricultores de Mato Grosso deixaram de pagar débitos e os bancos tomam equipamentos. O governador admite que a agricultura brasileira está diante de "uma das mais graves crises das últimas décadas". Segundo ele, a "bolha do "subprime" agrícola" estourou, com conseqüências graves para o plantio e a colheita. Para ele, secou a obtenção de crédito junto às tradings, que vinham financiando 96% da agricultura estadual. Sem acesso ao crédito para financiar a próxima safra, 70% dos agricultores do Estado (maior produtor de soja do país) deixaram de pagar seus débitos na parcela de R$ 1 bilhão do financiamento de máquinas agrícolas que venceu em 15 de outubro, segundo estimativa da Famato . A afirmação grave do governador foi a de que "a bolha do "subprime" agrícola estourou", numa alusão aos créditos de alto risco que, concedidos maciçamente nos EUA nos últimos anos, resultaram em uma onda crescente de inadimplência que está no epicentro da crise econômica mundial. Ele acha que o produtor tem duas alternativas: pagar a dívida ou não plantar, apesar de defender que não se trata de calote. “Para muitos produtores, disse, acaba sendo mais barato entregar o maquinário do que pagar o financiamento, até porque as máquinas já não valem quase nada quando comparadas ao valor financiado, que foi inflacionado a partir de 2005 pelo câmbio. Por fim, disse que a questão "é de Estado, e não de um ou outro produtor". "É fundamental que haja prorrogação das parcelas deste ano até o ano que vem. É uma questão de bom senso. Mas, até agora, não surgiu nada nesse sentido." No fim de semana, representantes de entidades do setor produtivo decidiram constituir um "comitê de crise", que se reuniu pela primeira vez ontem em Cuiabá. Na opinião do presidente da Famato, Rui Prado, o governo está confortável porque o produtor plantou a soja. Mas não plantará o algodão e nem o milho. ”Pode ser, diz ele, que aí se pense no problema.” * ONOFRE RIBEIRO é articulista deste jornal e das revistas RDM e Centro-Oeste [email protected]

Edição EDIÇÃO 16967




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