O pessoal que milita nos direitos humanos está alvoroçado. Parece que com alguma razão. A câmara escolheu o deputado Marcos Feliciano para presidir a Comissão de Direitos Humanos e Minorias. Ele é pastor pentecostal famoso por declarações contra gays e negros. Também defende a castração química de estupradores (uma boa alternativa ao canivete, penso eu, embora menos eficiente). A briga esquentou. O deputado federal 'ex-BBB' (o que não o recomenda muito) Jean Wyllys, militante gay, foi à imprensa e à mídia social mandando ver no dito pastor. Pede sua destituição do cargo, com medo que as minorias gays, negros, etc. - sejam prejudicadas com a posição radical já manifestada. Motivos ele (Jean) tem. O deputado pastor não esconde de ninguém a antipatia pela homossexualidade. Ele teria dito também que os africanos descendem do filho amaldiçoado de Noé. Na verdade ele não tem perfil para ocupar esse cargo, pois combate os que deveria defender. É como se pusessem a Marina Silva para a pasta da agricultura. Em pouco tempo ela transformaria toda terra agricultada em uma imensa área de preservação. Mas em que se baseia o pastor para ser contra a homossexualidade? Claro que na Bíblia Sagrada. Lá, tanto no velho como no novo testamento, existem dezenas de passagens que condenam o sexo entre pessoas do mesmo gênero. Ora, se o pastor aceita por verdadeiras as narrativas bíblicas de Adão e Eva, seduzidos por uma cobra falastrona e a destruição da humanidade por um dilúvio improvável, por coerência e fé concorda também com a proibição do sexo entre iguais. Se ele acredita que um homem nasceu de uma virgem, viveu entre nós, foi crucificado, ressuscitou no terceiro dia e hoje é o salvador da humanidade, como diz o Livro Sagrado, de novo, para ser coerente, precisa aceitar todos os demais pontos da bíblia. Por que assim precisa ser: ou acredita em tudo ou não crê em nada. Não há meio termo. O pacote é completo, é pegar ou largar. Acontece que o militante gay, em artigo recente divulgado nos jornais, se diz Cristão convicto e acrescenta que a implicância com a homossexualidade vem de uma interpretação enviesada que o pastor tem da bíblia. Aí é que a porca torce o rabo. Não é verdade. Não se trata de interpretação tendenciosa. Os cristãos são contra a militância gay, exatamente porque a bíblia que eles procuram seguir (procuram...) condena a homossexualidade com vigor e clareza. Claro que são dois inocentes. O primeiro ao mencionar o repovoamento do mundo pelos descentes do lendário Noé, ao afirmar que a África foi povoada pelo descendente maldito desse personagem bíblico, mostra desconhecer a teoria Darwiniana da Evolução das Espécies e todas as comprovações científicas da Seleção Natural. O segundo alardeia sua cristandade, que está baseada na mesma bíblia que o pastor cita, mas a aceita seletivamente, conforme lhe convém. Na verdade ele é um Cristão que não conhece a Bíblia, ou se conhece, prefere adaptá-la aos seus modos de vida. Pode ser que o militante Jean afirme sua religiosidade por interesses eleitorais. No Brasil nenhum candidato ateu confesso tem chance de se eleger. Aqui está uma minoria (a dos ateus) que nenhum dos dois (o pastor e o gay) tem coragem de defender. *RENATO DE PAIVA PEREIRA empresário
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