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ARTIGO
Terça-feira, 27 de Maio de 2008, 21h:01

ONOFRE RIBEIRO

2008 interessa menos do que parece

As eleições municipais em Mato Grosso estão construindo a ponte para 2010. São mera passagem para a construção do novo poder político pós-Maggi. Em Cuiabá e Várzea Grande a leitura é bem mais fácil, porque é muito mais explícita. Antes, o leitor precisa saber o que está em jogo quando se fala em poder político. Joga-se com a vaga de governador em 2010, com duas vagas para senador, com oito para deputados federais e 24 para deputados estaduais. Ficou mais evidente o tamanho do jogo, em Várzea Grande, onde as composições e decomposições políticas foram mais agressivas. O candidato a prefeito pelo DEM, deputado estadual Wallace Guimarães, foi triturado dentro do próprio partido. Restou o também deputado estadual Maksuês Leite, do PP, igualmente triturado pelo mesmo DEM e pelo seu próprio partido. A vaga de prefeito em Várzea Grande está amarrada à carreira política do senador Jaime Campos, que quer ser governador, do candidato Júlio Campos, que garante a retomada do poder político em Mato Grosso pelo grupo político comandado por sua família. Daí a importância de ter uma eleição sem riscos. Já Maksuês Leite pagou o preço da ingenuidade. Seu líder partidário, o deputado estadual José Riva, entregou-o na bandeja para a candidatura Júlio Campos, porque deseja ser candidato a senador em 2010, casado com a candidatura de Jaime Campos a governador. Ora, um jovem deputado entre o mar e a rocha virou marisco e foi completamente detonado em troca de incertos acordos futuros e de alguma vantagem financeira. Portanto, de Várzea Grande já sai pronta em 2008 a maior parte da chapa majoritária de 2010: um candidato a governador e um a senador. O restante vai se montando ao longo do tempo. O leitor perguntará: e o deputado Maksuês? A resposta é clara: “ora, ele foi apenas um detalhe!” E Cuiabá? Na capital a situação também está ligada a 2010. O PR lançou o empresário Mauro Mendes e espera montar uma ampla coligação que inclua o PT, o PMDB e muitos partidos pequenos. Terá o maior tempo no horário eleitoral gratuito, num esforço para barrar a possível vitória do prefeito Wilson Santos, outro possível candidato a governador em 2010. O PP de Maksuês e de Riva lançará o deputado estadual Walter Rabello, mas todo mundo sabe que é apenas fachada para uma adesão ao PR dentro de 30 dias. De novo o deputado José Riva amarra a sua candidatura a senador nas composições, porque o governador Blairo Maggi, sendo candidato a uma das duas vagas, tem o que oferecer em termos de apoio político. De novo Riva deixa amarrado o seu projeto político. Pode-se dizer, sem muito risco de errar, que, até agora, tem sido o maior ganhador com todas essas manobras. Já o prefeito Wilson Santos terá uma coligação com menor poder de fogo e será o centro dos tiroteios, menos pelo cargo e mais pelo projeto a governador em 2010 ou, no mínimo, a senador, posição em que trombaria com Riva. Logo, Riva não tem interesse nenhum em Wilson Santos nem para o governo e nem para o Senado. * ONOFRE RIBEIRO é articulista deste jornal e das revistas RDM e Centro-Oeste [email protected]

Edição EDIÇÃO 16967




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