Com a quebra de sigilo fiscal e bancário do ex-secretário adjunto da Sema, Afrânio Cesar Migliari, e demais pessoas ligadas à empresa Mapear, foram constatadas discrepância entre os rendimentos reais e o declarado à Receita Federal. Além da empresa Mapear, as investigações apontam que Afrânio também se associou à engenheira agrônoma Luana Ribeiro Gasparotto, proprietária da empresa Proflora Engenharia, para agilizar processos dentro da Sema. Luana também teve a prisão preventiva decretada pela Justiça Federal. Em um dos diálogos interceptados, Afrânio determina que uma propriedade sobrepondo o perímetro de uma propriedade de interesse seu e de Luana fosse excluída da base de dados da Sema para viabilizar a aprovação do processo de exploração da propriedade de seu cliente. A PF suspeita que, embora esteja no nome de Amauri Carvalho Lopes (cunhado de Afrânio) e Gabriel Mancilla, a Mapear de fato pertença ao ex-secretário adjunto. Em certa ocasião, ao sair para um almoço com Afrânio, Gabril diz à esposa que vai almoçar com o chefe, segundo consta no relatório. Outro trecho sugere que ele teria recebido uma caminhonete em troca de serviços prestados aos proprietários das Fazendas Bico do Garrafão e Morada do Sol. Embora não confirme que se trate do mesmo automóvel, durante toda investigação foi constatado que Afrânio utilizava diariamente uma caminhonete Chevrolet S-10, em nome da empresa Compensados Fortes S/A, pertencente a Sidnei Ari Bellincanta. Membro do Sindicato dos Madeireiros de Sinop, Bellincanta também teve a prisão preventiva decretada. A caminhonete era usada pelo ex-secretário diariamente para levar os filhos à escola, conforme os autos. Nota-se que as investigações apontam que Sidnei Ari Belicanta foi um dos maiores beneficiários na aprovação de autorizações para exploração florestal durante o período em que Afrânio esteve à frente da pasta na Sema, diz um trecho do relatório ao qual o Diário teve acesso. (JC)