Primeira Página
Terça-feira, 30 de Março de 2010, 22h:31
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MEMÓRIA
Rei da soja assume o poder
Dono da maior fortuna de Mato Grosso pega cedo no batente e diz que agora o poder está nas mãos de quem trabalha
Na edição de 31 de dezembro de 2002 o Diário publicou Especial sobre o governador que seria empossado no dia seguinte. A matéria com o título acima e de minha autoria diz sobre Blairo Maggi que: Aos 11 anos, operava um velho trator agrícola nas lavouras do pai, em São Miguel do Iguaçu, no Paraná. Na juventude, atravessou a ponte sobre o rio Correntes e chegou a Mato Grosso. Era um lavoureirozinho e nem me passava pela cabeça esse negócio de política, quanto mais que um dia seria governador, revelou Blairo Maggi ao término da apuração dos votos que o elegeram. Se para alguns foi surpresa a eleição de Blairo Maggi, para outros nem tanto. Que o diga seu braço direito na área social, o comunitário Calé Marien, que entra mês e sai mês percorre os bairros pobres de Rondonópolis distribuindo toneladas de alimentos doados pelo novo governador às famílias carentes. A doação, discreta, não é um ato frio de quem tem muito em socorro daquele que nada tem. Ela é um ampliado gesto de fraternidade que se arrasta há longo tempo. Quando alguém do grupo beneficiado tem problema de saúde ou algo parecido, Calé conversa ao pé do ouvido com o Brairo e o problema se resolve numa discrição de confraria. A figura da botina, usada por Blairo Maggi como logomarca política de seu governo, tem lá suas razões de ser. Com ele não tem tempo ruim. No comando de um grupo empresarial familiar se tornou o maior produtor de soja do mundo, dono de empresa de navegação, empresário que responde pela compra de 20% da soja mato-grossense, presidente da Associação Nacional dos Exportadores de Cereais, megaprodutor de arroz, de algodão e de sementes, tem milhares de cabeça de gado, indústrias de esmagamento de soja em Cuiabá e Itacoatiara (AM), e negócios espalhados pelos continentes. Ainda assim, pega cedo no batente sem se preocupar com a hora de parar. Candidato, dizia que levaria sua experiência empresarial para o governo. Eleito, antes mesmo da posse, mostrou em seu primeiro ato que isso é possível. Estabeleceu parceria com prefeituras e produtores para pavimentar e inaugurar em abril de 2004, 90 km ligando Lucas do Rio Verde a Tapurah. Ao estabelecer com seu secretariado contrato de serviço temporário, com metas a serem alcançadas, Blairo Maggi demonstrou que dará tratamento de relação empresarial aos seus colaboradores, sem que isso signifique desprestígio para a classe política. Ao contrário, ele quer fortalecê-la na medida em que busca melhor qualidade na prestação de serviço, com transparência, agilidade e seriedade. O povo que entendeu sua mensagem política, apostou na sua conduta pessoal e clama pelas mudanças embutidas em seu programa de governo aposta no amanhã nesse alvorecer de milênio para um novo Mato Grosso, agora, como dizia o bordão de campanha, Nas mãos de quem trabalha. Trabalhador incorrigível, quando muito escapa para o litoral no período do Natal ao Ano Novo, para uma curta temporada de praia com a mulher, a advogada e agora secretária de Trabalho, Terezinha, e os filhos André em homenagem ao avô -, Belisa (reverenciando a jornalista Belisa Ribeiro, da qual é admirador) e Ticiane. Assim é o novo governador, Blairo Borges Maggi, 46, agrônomo por formação, empresário por vocação e político por injunção, nascido em Torres (RS), registrado em São Miguel do Iguaçu, filho de André Antônio Maggi e Lúcia Borges Maggi. (EG)