As investigações da Polícia Federal serão estendidas também para as empreiteiras que aceitaram o acordo de não participar das concorrências das obras do PAC em Cuiabá. Há indícios de que o esquema fraudulento dava favores a empresas para que não participassem da disputa pelo comando dos empreendimentos. Há suspeitas de que empresários recebiam valores em dinheiro para não participar das concorrências, disse o delegado Márcio Carvalho. Uma verdadeira articulação política era feita pelo grupo criminoso para fraudar licitações e direcionar as empresas que seriam vencedoras. "Um grupo de empresários de Mato Grosso se valia da força política e do sindicato do setor e passava a se organizar para que empresários de outros Estados fossem excluídos. Porém, passava a participar do esquema, executando parte das obras de forma terceirizada. Há irregularidades em todos os lotes", revelou Carvalho. De acordo com as investigações, cabia aos servidores da prefeitura de Cuiabá estabelecer contatos com empresários que, ao aceitar participar do esquema, se comprometiam a pagar dinheiro para evitar a concorrência de outras empresas. Havia acordos para que cada parte das empreiteiras vencesse determinados lotes das obras. Percebemos ameaças contra concorrentes para que permanecessem fora da disputa. Se insistissem, o esquema não teria andamento. De acordo com o delegado, se o contrato valia R$ 50 milhões, uma empresa poderia receber R$ 1 milhão para executar de forma terceirizada e, em troca disso, deixar de oferecer serviços à Prefeitura de Cuiabá. Assim, a licitação perdia a competitividade e os preços contratados superavam a normalidade. Com o sobrepreço, o pagamento feito aos empresários se tornava maior, revela. (RC)