Primeira Página
Terça-feira, 30 de Março de 2010, 22h:31
A
A
Marco temporal em Mato Grosso
EDUARDO GOMES
Da Reportagem
Cuiabá, primeiro de janeiro de 2003. Surpresos os participantes da solenidade de posse do governador o viram chorar aos acordes de Canção da Família. Alguns não sabiam sequer a pronúncia correta de seu nome, é Brairio ou Brairo, perguntavam. Mesmo eleito em primeiro turno com folgada margem de votos, o novo governante ainda era figura estranha. O ato da posse foi simples, objetivo, calcado na institucionalidade e sem cheiro político. Somente 10 prefeitos participaram da solenidade no Centro de Eventos do Pantanal, acompanharam o primeiro ato e ouviram seu curto pronunciamento sobre o tom de seu governo. A primeira medida foi recebida com aplausos: o governador desonerou do ICMS o arroz, feijão e a carne produzidos em Mato Grosso para consumo interno. A fala foi calcada em quatro princípios basilares: ousadia, transparência, competência e honestidade, que arrancaram tímidas palmas dos presentes. Afinal quem era o governador que recebia o cargo? Mato Grosso sabia que se tratava de um jovem empresário do agronegócio, formado em agronomia, casado, três filhos, residente em Rondonópolis, e que estava à frente do grupo familiar fundado por seu pai, André Maggi, do qual herda o nome. Mais que isso, pouca coisa, porque nem mesmo a campanha eleitoral permitiu que o então candidato que seria vitorioso tivesse maior aproximação com o povo. Sua eleição contrariou todos os prognósticos políticos menos os dele e dos que conheciam sua obstinação. Lançado de última hora percorreu as cidades polos e algumas outras. Fez reuniões. Conquistou a confiança popular no horário eleitoral com sua ousadia ao falar em quebrar paradigmas, em levar para a vida pública sua experiência empresarial. Muitos votaram em sua plataforma de governo, sem sequer o terem visto uma vez sequer. Ganhou o pleito em primeiro turno. No ato da posse havia resistência de setores políticos ao seu nome. Como governar Mato Grosso com minoria na Assembleia Legislativa e na bancada federal? Filiado a um pequeno partido de oposição ao presidente da República? Com o orçamento ao fio da navalha? Com gargalos nos chamados setores estruturantes? Sem tradição política, área onde sua única experiência foram quatro meses no cargo de senador substituindo o titular Jonas Pinheiro? A cautela marcou o primeiro encontro entre governante e governados. A solenidade foi rápida. Ao entrar no carro que o levaria ao Palácio Paiagás para iniciar ainda no dia da posse seu expediente inaugural, um repórter o questionou: governador Brairio, como o senhor imagina que será seu governo?. Com um tímido sorriso e em voz baixa respondeu: meu nome é Blairo. Blairo Borges Maggi e farei tudo que estiver ao meu alcance para que ele seja o melhor possível. Blairo somente não disse ao repórter que para levar adiante seu governo percorreria o estado de ponta a ponta para conhecer seus problemas, conversar com as lideranças regionais, ouvir o povo e assim transformar sua administração em marco temporal de duas épocas em Mato Grosso: o antes e o depois do Brairio, quer dizer do Brairo, ou melhor, do Blairo. Quatro anos depois da tímida posse, Blairo novamente recebeu a faixa de governador, também eleito em primeiro turno, mas em outro cenário político: com maioria na Assembleia, condição que alcançou no começo do primeiro mandato, aliado ao presidente da república, com respaldo da bancada federal, apoiado pela maioria dos prefeitos em razão do enfoque municipalista de seu governo e com 92% de índice de aprovação popular, fato raro entre administradores públicos reeleitos. O que Blairo fez para alcançar o melhor possível, como disse ao repórter em seu primeiro dia de governo, é o marco temporal que virou a página do ontem deixando Mato Grosso na linha do tempo rumo ao futuro. (EG)