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Cuiabá MT, Terça-feira, 09 de Junho de 2026

Primeira Página
Sábado, 05 de Fevereiro de 2005, 14h:42

ENTREVISTA

Leitão exige respeito de aliados

Cotado para vaga de governador pelo PSDB, prefeito de Sinop só negocia com Maggi se for “olho no olho”

MARCOS LEMOS/KAROLINE GARCIA
Da Reportagem
O prefeito de Sinop, Nilson Leitão, é a mais nova aposta do PSDB. Reeleito no maior município da região Médio Norte do Estado, Leitão não é visto apenas como possível candidato ao Governo do Estado no próximo ano, mas também como uma nova liderança da sigla. Isso ocorre no momento em que tudo que os tucanos querem é “ganhar musculatura”. Reticente, Leitão não fala na candidatura, apenas na reestruturação do PSDB. Dá mostras de que tem bom trânsito nas mais diversas agremiações. Elogia ex-governadores, o atual governo e contesta: “Todos fizeram e fazem a história do Estado. Mato Grosso não começou agora”. No entanto, os elogios ficam de lado quando o assunto é repasse de ICMS. Nilson leitão endossa as críticas do colega tucano Wilson Santos, prefeito de Cuiabá, de que os municípios pólos estão sendo prejudicados pelos cálculos que vem sendo feitos pela Secretaria Estadual de Fazenda. Suplente de deputado, Leitão chegou a ocupar uma cadeira no parlamento estadual por duas vezes. Com a vitória em Sinop, foi convidado para compor a nova diretoria da Associação Mato-grossense Municípios (AMM) que faz parte da comissão que irá acompanhar os cálculos do ICMS feitos pelo governo do estado. E promete representar os grandes municípios na briga pelo cálculo do ICMS. Em entrevista ao Diário, ele fala dos projetos do PSDB, das possibilidade de negociação para as eleições de 2006 e defende critérios rigorosos para aprovar adesões ao ninho tucano. Leitão diz que a composição com o governador Blairo Maggi não é esdrúxula, é possível, mas desde que ele aceite conversar de igual pra igual. Diário de Cuiabá – O senhor será o candidato do PSDB na disputa pelo Governo do Estado? Nilson Leitão – Na verdade, hoje não tem candidatura a Governo do Estado. O quem temos é um entendimento por parte do PSDB, como um partido que governou o Estado por oito anos, que governou o Brasil por oito anos. Um entendimento que deverá ter uma candidatura própria para o pleito de 2006, dentro desse pensamento e dessas intenções. Cogita-se o nome do Rogério Salles e também foi cogitado meu nome pelo presidente do partido, Dante de Oliveira, pelo prefeito de Cuiabá, Wilson Santos, e pelo senador Antero. Nada disso é iniciativa pessoal, até porque acabamos de ganhar uma eleição em Sinop, temos uma preocupação muito grande em administrar nossa cidade que cresce 10% ao ano e sabemos também que para qualquer sucesso de futuro temos que estar com presente bem cuidado. E pretendo cuidar bem do ano 2005 de Sinop, cuidar bem do início do ano de 2006 de nossa cidade, aí o futuro quem vai reservar é o caminho que as lideranças políticas escolherem. Escolhidos os caminhos, quem sabe aí sobra um espaço para o PSDB se aliando a partidos que já vem aliando em nível nacional como o próprio PFL, o PDT, que tem aí o Emanuel Pinheiro. O PTB, o PL, outros partidos que gostaríamos de convidar que estivessem conosco e poderia estar fazendo com gente uma frente, uma grande chapa para eleição de 2006. Diário de Cuiabá – O senhor é considerado um dos expoentes do partido. Se o PSDB tiver candidato, se precisar, o senhor vai aceitar a disputa? Leitão – Nós vamos ter responsabilidade. Nós não seremos afoitos e fazer como alguns políticos que decidem que vão ser e pronto. É um projeto partidário, onde o PSDB começa a se reestruturar, ganhar musculatura política melhor. Queremos trazer novas lideranças para que em 2006 estejamos preparados para qualquer coisa, inclusive para ter candidato ao governo. O partido estando preparado para 2006 outras siglas terão interesse no PSDB. Se não fizermos este trabalho de reestruturação, nenhum partido vai ter interesse de se aliar conosco. O PSDB tem um perfil de bons nomes de lideranças que representam bem o estado. Temos que estar organizados, queremos discutir olhando no mesmo nível para os outros e não olhando para cima. Diário – O PSDB parece estar dividido, o senador Antero chegou a declarar que via com bons olhos a coligação o governador Blairo Maggi... Leitão – Não vejo nenhum problema em ter essa coligação com o governador. O que não podemos é negociar uma possível aliança olhando de baixo para cima. Repito, temos que conversar no mesmo nível é quando digo que temos que estar preparados. Não queremos ir a reboque de nada e sim negociar de forma igual. É claro, o governador sempre se encontra em situação mais privilegiada, a população e a classe política enxerga isso de forma clara, o governador passa a ser o preferido, tem seus privilégios, tem mais chances. Mas isso não quer dizer que ele está melhor, o partido político tem que estar defendendo seus ideais e projetos. Diário – Mas a eleição estando no cargo é mais fácil? Leitão – Eu acho que tem sido, a história tem contado. Na gestão do Dante de Oliveira ele saiu com 9% e ganhou a eleição estando no cargo. Mas cada um tem sua história. Eu acredito que o Governo Maggi tem seus acertos, tem seus erros, suas falhas políticas. Não podemos ter preguiça de fazer política. A política mais fácil é se aliar ao governo, à máquina que já está no poder que vai para a reeleição, isso mais fácil para todos. Mas nem todo mundo gosta do mais fácil e sim do melhor. Queremos criar o equilíbrio, buscando o melhor para o partido e para Mato Grosso. Diário – O que vemos é que todas as facções têm demonstrado interesse em seguir com o governador. Tem espaço para todo mundo? Leitão – Eu acho que está sobrando espaço na oposição. Ninguém está fazendo esse papel. E isso é ruim para o próprio governador. Eu sou o prefeito de Sinop e apesar de ter uma oposição que acaba sendo apelativa, na maioria das vezes serve como alerta, colabora com a administração, faz com que você se mexa mais. A partir do momento que não tem oposição, é claro que Mato Grosso fica desigual, só fica tendo opinião de um lado e com isso alguma parte do Estado fica descoberta. O PSDB estará de portas abertas para conversar com todos, inclusive com Blairo Maggi, a minha opinião pessoal é essa. O PSDB é um partido que deve ser respeitado, apesar que, quando se perde um mandado, todo mundo só quer pisar na cabeça. É bom lembrar os bons momentos do PSDB nesse estado. Acabou de sair o PIB de 2002, lembrando que dos dez anos em o Banco do Mato Grosso foi recordista do PIB nacional, que encerrou em 2002, oito anos foi durante o governo do PSDB. Às vezes, só mostram as coisas ruins que o PSDB fez, mas o partido fez o Estado avançar, fez com que o estado fosse campeão da safra de soja, o segundo de arroz, avanço de algodão. Todos os programas de incentivo ao agronegócio deste estado foram criados pelo PSDB, todos sem exceção. Diário – A tendência do PSDB é de ser oposição ou governo? Leitão – Depende de como nos tratar e de como o PSDB vai estar. Queremos ter respeito, o que não tivemos muito até agora. E o partido tem o direito de cobrar este respeito e para dar também o direito de ser respeitado. Diário – Essas lideranças que estavam no PSDB de oito anos atrás e teriam mudado a estrutura econômica do Estado são consideradas ultrapassadas. Nesse processo, os novos, Nilson Leitão, Wilson Santos, e nomes que despontam vão assumir, definir ou vai continuar na mão dos antigos? Leitão – Eu valorizo muito todos os antigos. Se não fosse assim, o Lula, que mudou todos as suas concepções, não estaria presidente do país. Ele entrou com um discurso na eleição e assumiu a presidência com ações totalmente diferente de seu discurso. O próprio governador Maggi durante a campanha eleitoral tinha um discurso diferente de suas ações que vemos hoje. Dizia tantas coisas que não aconteceram e que na verdade a população tem que entender que o administrador acaba mudando as suas concepções. A diferença das nossas lideranças, do próprio governador Dante de Oliveira é que são autênticos. Temos defeitos, temos sim como todos os governos têm. Eu penso que todos que passaram pelo Governo de Mato Grosso tem seu valor. Se alguém não tivesse construído o Palácio Paiaguás, há tantos anos, certamente este governo teria problema de sede. Se o governador Dante não tivesse criado os programas de incentivo, não estaria nessa alegria. Se não tivesse privatizado a Cemat, acabado com estatais, enxugado o governo, automaticamente Blairo Maggi não estaria administrando com a mesma tranqüilidade que está. Hoje é fácil falar em investimento. Assim como quando o governador Jaime Campos teve que fazer tantos investimentos em energia, levar o linhão para todo o estado. Como o governador Júlio Campos teve que levar a BR 163 até o nortão, senão não teria expandido. Também o governador Carlos Bezerra que criou a Unemat para tantos lugares melhorando a qualidade da educação. O grande problema da maioria dos políticos quando assumem o cargo é achar que o estado, o município ou o governo iniciou a partir dele. Esta é a maior hipocrisia, ninguém inicia por conta própria, tudo tem uma história, um alicerce. Tudo que foi feito no passado deve ser reconhecido, pois só se consegue falar do futuro quando se tem o passado alicerçado. Todas as lideranças que dizem hoje que são ultrapassadas, são lideranças que deram muitas alegrias ao estado independente de partido e têm meu respeito. Assim como o governador Blairo Maggi tem todas as coisas boas, agora não pode achar que, Mato Grosso começou a partir daqui. Eu acredito que a disputa eleitoral não pode ser uma guerrilha onde as trincheiras devem estar com as armas e línguas de fogo, tem que ser com respeito à classe política e fazendo o que esse PSDB novo quer, que tem aí Wilson Santos na prefeitura, Chica Nunes presidindo a Câmara, com o senador Antero, com a deputada Thelma, com o deputado Carlão na Assembléia. É claro que temos muito menos representatividade do que tínhamos no período em que estávamos no governo mas nem por isso diminuímos a qualidade das pessoas que trabalharam por esta do durante todo o tempo. Quem saiu teve seus motivos e tem nosso respeito, o PSDB vai tentar reforçar isso, ouvindo a voz da experiência de quem passou. Mas em duvida com essas novas forcas o PSDB vai se recompondo e formando um novo time. Diário – Sinop é um município pólo e tem apresentado junto a outros sua insatisfação quanto ao repasse do ICMS. Como é possível resolver este impasse, já que o governo diz que não tem o que fazer? Leitão – Eu respeito a posição do governador Blairo Maggi, mas acho que ele não está correto, assim como não estavam corretos os ex-governadores em relação aos índices do ICMS. Eu falo de forma muito franca como prefeito, tanto é que meu partido também errou no governo em relação à distribuição no índice, como o governo Maggi está errando. Isso é um problema social do Governo do Estado, não é apenas dizer “deixa que dos 75% eu cuido e vocês vão lá e se arrebentem para resolver o problema da distribuição”. Está errado. Se o município de Sinop arrecada R$ 60 milhões por ano de ICMS e está recebendo R$ 8 milhões de retorno está muito errado. Lá em Sinop, eu tenho mais problema, por ser uma cidade que cresce muito, do que muita cidade que são bem menores e tem uma população praticamente definida que cresce uma media de 3% apenas. ICMS é um problema do governo sim, não só do município. Nós arrecadamos esse ICMS com nossas indústrias, com nossas empresas no município. Faz parte do estado? Faz no contexto, mas é no município que ela mora. É lá que o trabalhador daquela empresa que está ajudando a arrecadar ICMS, se machuca e vai para o pronto atendimento ou posto de saúde. É importante que o governo tenha essa visão mais humana e que tenha essa redistribuição mais social. Diario – Qual o argumento que vocês prefeitos têm ouvido? Leitão – O argumento é que cidades como Alto Paraguai que não tem auto sustentação com receita própria teria que ser privilegiado. Ótimo, mas que o governador participe desse privilégio. Faça um convênio com Alto Paraguai na área de saúde dos 75% do ICMS e repasse esse dinheiro para Alto Paraguai. Por que tem que tirar dos 25% dos municípios? Dos 100% arrecadado apenas 14% vão para os municípios, 86% fica com governo do federal e do estado. Só que acontece uma invasão de terra em Sinop quem tem que arrumar cesta básica, medicamento para aquela população que não estava prevista no orçamento, nem no caixa e a prefeitura, não sei com que dinheiro. Problema de distribuição de ICMS nesse estado está errado há muitos anos. Diário – Mas o senhor acredita que existe solução? Leitão - Tem solução sim. A partir do momento que o governo entrar efetivamente nela. Hoje a minha impressão é de que o produto está sendo muito mais valorizado que o ser humano. Ou seja, onde tem soja, tem agricultura se paga mais, onde não se tem se paga menos. Os municípios que vieram de garimpo, estão fadados então a virar miseráveis? Não pode. Tem que fazer uma distribuição correta e cumprir a lei. A lei não está sendo cumprida, não estão sendo subtraídas as entradas em municípios onde faz a diferença. Por isso, digo que a fórmula do cálculo e justa, cidades que arrecadam menos que Sinop acabam recebendo mais que Sinop, por exemplo. Diário – O governo fala que já faz a parte dele. Leva estrada, ajuda na saúde... Leitão – Não, mas a estrada que ele leva o município participa. Eu dou dinheiro para ajudar a construir. Vou dar um exemplo, na casa popular do Fethab onde ele entra com R$ 7.500 para a construção, mais R$ 2.500 para a infra-estrutura o município entra, no mínimo, com valor igual ou maior que este é a casa sai como casa do Estado. Mas é o município que dá o terreno, que faz ao aterro, a água tratada. Ou seja, existe uma parceria e nesta parceria nos contribuímos com nosso bolinho pequenininho. Em Sinop, mantemos o índice, mas perdemos na contribuição, pois nossa cidade cresceu. Diário – Vocês elegeram uma Associação de consenso agora vocês querem tirar da AMM a decisão sobre o índice, querem que volte a Assembléia. Como vai ficar isso? Leitão – Não, na verdade não tirou da AMM. Sou o vice-presidente da AMM e entendemos que não basta só a entidade discutir isso, pois é a AL que vai decidir isso e sua participação é necessária. Propomos que a AMM faça um estudo junto com a Assembléia, pois queremos que todos sejam contemplados, mas ela não tem poder de decisão. Diário – O senhor e favorável à divisão do Estado já que está no maior município da região Médio norte? Leitão - Olha eu seria, como prefeito, o maior interessado pessoalmente para meu crescimento político. Só que tenho colocado desde o primeiro dia que se discutiu isso que não podemos usar como bandeira de campanha como outros usaram. Não vou usar dessa hipocrisia. Ela seria uma solução para o nortão e não para o Estado remanescente. Diário – O que espera do futuro político? Leitão – Eu espero crescer como político. Quero trabalhar muito e tenho convicção que só assim vou conseguir. É com resultado de trabalho, não é caluniando, atacando, é apontando o dedo mas buscando soluções. Como cidadão quero ver Mato Grosso como maior estado desse país. Os nossos empresários precisam se sentir mais importantes do que são, precisam levar isso lá fora.

Edição edição 16957




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