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Primeira Página
Sábado, 03 de Maio de 2008, 15h:16

ENTREVISTA

Excluído, Wallace não deve apoiar Júlio

Deputado estadual Wallace Guimarães, excluído do processo em VG pelo DEM, avalia a possibilidade de apoiar Maksuês Leite (PP)

SONIA FIORI
Da Reportagem
Quando o DEM de Várzea Grande confirmou a escolha do ex-conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE), Júlio Campos, para liderar a disputa nas eleições de 2008, ficou estabelecido também o que mais se temia na sigla: a possibilidade de um racha ainda sem precedentes. Sentindo-se excluído do processo e magoado com os critérios que levaram à definição do quadro de disputa interna, o deputado estadual Wallace Guimarães (DEM) dá ênfase à chance de apoiar um candidato de outra legenda. Nos próximos dias, ele analisará, junto ao seu grupo, o melhor caminho a ser seguido. Ele destaca nesta entrevista ao Diário, ainda no calor das decisões, ou seja, concedida um dia após a decisão, a possibilidade de apoiar o deputado estadual Maksuês Leite (PP), que vem liderando pesquisas de intenção de voto no município. Sem receio dos reflexos negativos que sua opção poderá trazer, o deputado é enfático ao lembrar que não possui o perfil de “ficar em cima do muro”. Num tom seguro, acrescenta ainda que não teme represálias de “caciques” da política mato-grossense. Entretanto, reconhece a posição do senador Jayme Campos (DEM) no esforço para se manter afastado da celeuma interna. O parlamentar acentua a tendência do diretório municipal em favor da tradição da política Campos, mas lembra o potencial de seu nome diante dos eleitores. Os sintomas pouco atrativos do atual quadro também poderão ser sentidos no âmbito das alianças. Se tomar a decisão de respaldar candidato de outra legenda, o deputado poderá ser seguido por partidos que haviam declarado apoio ao seu nome, caso do PV. Ainda decepcionado, enfatiza sua perseverança para continuar em outro momento o projeto de chegar ao Paço Couto Magalhães. Diário de Cuiabá - O senhor sempre deixou clara sua posição de disputar a prefeitura de Várzea Grande. Que leitura faz da decisão do diretório, que validou o nome do ex-conselheiro Júlio Campos como pré-candidato do partido. Wallace Guimarães - O projeto de ser prefeito de Várzea Grande não termina aqui. Quando comecei a carreira política, coloquei isso como projeto. Infelizmente, não estou tendo a condição de permanecer na disputa porque o diretório entendeu que Júlio Campos deveria ser o candidato, por 25 votos a 16. Mas deixando bem claro que levando em consideração o principal critério que eram as pesquisas populares, eu não me considero derrotado. Fui vencedor nas duas pesquisas, não considero empate técnico na segunda, mas respeito a posição do diretório. Diário - O partido tentou chegar a um consenso e o senhor levou sua posição de disputar com o ex-conselheiro até o final. Por que? Wallace - Acredito que eu tenho um projeto para Várzea Grande. Gostaria de me dedicar mais à cidade que me acolheu. E acho que aquelas pessoas que têm medo de perder não merecem ter o direito de ganhar. Então, persisti no meu projeto mesmo sabendo das dificuldades que eu teria no diretório. Não procurei formatar um diretório para ser candidato, até mesmo porque o conselheiro Júlio Campos não era candidato. Eu estive encabeçando as pesquisas por um ano desde que assumi o mandato de deputado. Após a vinda do conselheiro, claro, nós caímos um pouco nas pesquisas, até mesmo porque o conselheiro acabou entrando em parte do eleitorado do Wallace, fazendo com que o deputado Maksuês perseguisse uma determinada vantagem. Infelizmente, se fosse analisar na íntegra os critérios das pesquisas, já que ganhei na primeira e na segunda, eu seria o candidato. Diário - O resultado no diretório, o senhor acha que reflete a força política que o Júlio traz da política dos Campos ou ele também conta com o peso político do senador Jayme Campos, por ser seu irmão? Wallace - O diretório em Várzea Grande sempre foi o diretório 'jaymista', 'julista', sempre foi e eu em nenhum momento quis desmistificar isso. Tentei trabalhar com a consciência livre, tranqüila, porque acreditei que a decisão seria realmente no melhor candidato com condições de ganhar a eleição. Você pode buscar qualquer analista político para fazer uma análise das duas pesquisas, que ele vai dizer que o candidato para ganhar a eleição é o doutor Wallace. Não estou menosprezando a força política de ninguém, nem do Jayme nem do Júlio, em hipótese alguma. Agora, a decisão final foi uma convenção premeditada, uma convenção prévia, e o diretório definiu Júlio candidato. Sucesso para ele! Diário - Diante de todo esse contexto, deputado, o ex-conselheiro chegou a oferecer algum acordo financeiro para que o senhor desistisse? Wallace - Não, de jeito nenhum. Ele jamais faria isso, porque sabia que eu não aceitaria. Teve até algumas especulações na imprensa e isso não me deixou triste, porque sei que muitas vezes a imprensa acaba julgando sem confirmação. Eu jamais iria aceitar uma situação dessas. O conselheiro não fez isso em nenhum momento. O que ele fez foram propostas de acordos políticos, como colocar a doutora Jaqueline de vice, que é a minha esposa, secretarias, apenas essas possibilidades de composições políticas. Diário - O nome do Júlio Campos e esse possível retorno da tradição da política Campos na prefeitura, como o senhor analisa esse cenário para o município em termos de evolução? Wallace - Eu vejo o seguinte: acho que cada um tem que fazer uma análise bem firme da sua consciência. Eu acredito que Várzea Grande é uma cidade carente, é uma cidade que precisa realmente de um prefeito arrojado, que esteja determinado a trabalhar pelo povo. Eu sempre digo que ser prefeito de Várzea Grande não deveria ser uma vaidade pessoal. Eu não quero aqui fazer julgamento prévio de ninguém, mas o que vejo é que eu tenho um projeto e espero que os demais candidatos que queiram realmente ser prefeito de Várzea Grande estejam com essa vontade. Espero que possuam determinação, que estejam pensando no povo, na cidade, e não nos seus próprios umbigos. Tenho 46 anos, meu projeto continua e reconheço que sou principiante na política. Tão principiante, que fui até amador na formatação do partido, na formação do diretório. Diário - Existe ainda a possibilidade de ter sua esposa de vice na chapa do Júlio e o senhor estaria disposto a contribuir com seu plano de gestão? Wallace - Vamos deixar bem claro que isso foi uma proposta de colocar ela (Jaqueline) como vice. Vou fazer uma análise, não da Jaqueline ser vice, mas uma análise da minha direção daqui para a frente. A Jaqueline como vice foi uma proposta muito amável do Júlio Campos e eu também fiz uma proposta para o Júlio Neto ou para indicação, para o caso deles quererem indicar o vice na minha chapa. A possibilidade de a minha esposa ser vice em termos de fortalecimento seria, sem dúvida nenhuma, uma saída importante. A pesquisa do Ibope coloca que a união é que pode criar a possibilidade da vitória, tanto do Wallace com o Júlio, como do Júlio com o Wallace. Agora, vamos dizer assim: eu que fui capitão de um barco tentando levá-lo para o porto seguro e todos aqueles que estavam a minha volta. Eu não consegui fazer com que conquistássemos esse espaço. Não conseguimos ganhar a possibilidade de ser o prefeito de Várzea Grande. Então, com certeza, agora vou ouvi-los e a direção que eles quiserem seguir vou seguir junto. Diário - E o que isso significa na prática, deputado? Wallace - Na prática, se quiserem ir com o Júlio Campos nós vamos com o Júlio Campos. Mas se quiserem ir com o Maksuês, nós vamos com o Maksuês ou com outro candidato. Diário – Então, está instituído um racha aberto no partido? Wallace - Se a decisão do grupo for essa. Eu sempre falei e muitas pessoas não acreditam, eu sou um cara democrático. Se de imediato na pesquisa eu tivesse perdido para o Júlio Campos, não teria ido para eliminatória. Eu teria simplesmente aberto mão, dado os parabéns e dito: estou de corpo e alma na sua campanha para o que der e vier. Mas eu não perdi nas pesquisas. E pode olhar, nas duas pesquisas eu ganhei. Se fosse uma eleição com um voto na frente, eu seria vitorioso. Diário - Como o senhor viu a posição do senador Jayme durante todo esse tempo em que o ex-conselheiro resolver se colocar no processo de disputa? Wallace - O senador Jayme não atuou totalmente ou diretamente na campanha. Apesar de que eu achar que deveria atuar, porque afinal é irmão dele. Eu não poderia ser pretensioso de querer que ele me apoiasse. Mas por outro lado, vejo o seguinte: hoje o voto do Júlio já está incorporado ao apoio do Jayme, porque isso é automático, é natural. Diário - Mas o senhor acha que houve um esforço da parte dele para se manter neutro? Wallace - Sim, não posso dizer que vi total empenho, mas acho que o Jayme ficou mais neutro, sim. Diário - No mesmo contexto, como analisa a postura das direções regional e municipal? Wallace - A direção regional não demonstrou tendência, apenas no diretório municipal, e isso aí já era esperado. Eu não tinha preparado o diretório para disputar a eleição porque o Júlio Campos estava no Tribunal de Contas. Diário - O Júlio Campos, quando decidiu reingressar à vida política, pegou o senhor de surpresa? Wallace – Eu confesso que achei que teria o apoio do grupo. Eu já vinha de uma eleição a prefeito, o Júlio Campos estava numa posição importante para o Estado e bastante privilegiada, e não iria sair do Tribunal de Contas sabendo que no partido já tinha um candidato com todas as condições de ganhar a eleição. Então, não nego para você que fiquei muito surpreso com a saída, não que eu não soubesse que ela já estivesse sendo aventada. Surpreso assim porque não creditei realmente que ele fosse sair do Tribunal de Contas para disputar essa eleição. Mas naturalmente saiu e faz parte do processo. Diário - Como o senhor vê hoje a colocação do deputado Maksuês nas pesquisas e como analisa esse cenário em relação ao Júlio? Wallace - Eu vejo o seguinte: hoje o candidato para ganhar a eleição nas pesquisas do momento é o deputado Maksuês. Quando você faz uma avaliação de três candidatos, é um pouco melindroso porque eu e o Júlio Campos estávamos disputando uma prévia. Nós não sabemos dimensionar ainda se com a saída do doutor Wallace esse fator de migração será para o Maksuês ou será para Júlio. E isso deveremos avaliar nos próximos trinta dias. Eu acho que os candidatos que estão permanecendo aí têm que fazer uma pesquisa dentro desses trinta dias. Mas uma coisa é certa: se o Wallace for para apoiar o Júlio Campos, não tenha dúvida que favorece a migração. Se for apoiar o outro candidato, também favorece a migração. Apesar do processo democrático, sempre há um sentimento de perca. Diário - Alguns partidos declararam apoio ao senhor, como o PV. Acredita que de alguma forma o DEM vai perder nesse contexto das alianças? Wallace - O PHS já perdeu, porque o partido já era condicionado a apoiar o Wallace e em todo o momento com restrição ao Júlio Campos. Então o PHS vai com o Maksuês, pelo que estou entendendo. O PV, inclusive, já me ligou e estamos conversando. Existe uma Frente no município que está se formando e eu não sei qual a direção. Lógico que em princípio vou solicitar um pouco de paciência para conversarmos e ver a direção que vamos tomar. Mas o PV eu considero um dos partidos mais fortes de Várzea Grande em termos de bancada para disputar a eleição proporcional. O PV hoje é um partido muito cobiçado. Diário - Como o senhor analisa a administração Murilo Domingos? Wallace – Olha, uma administração extremamente pífia. Uma administração que deixa a desejar. Eu vejo que o Murilo de certa forma pecou administrativamente e a população está fazendo uma avaliação muito ruim da sua administração. Nas pesquisas se verificam índices de 60% a 70% de rejeição direta. Eu acho que talvez agora nos próximos quatro anos seria o grande momento, porque ele também fez um trabalho de buscar orçamento. Muitas vezes esses orçamentos maiores chegarão um pouco tarde para a sua administração, mas, na minha opinião, o Murilo poderia ter trabalhado muito mais pelo município de Várzea Grande.

Edição EDIÇÃO 16958




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