Primeira Página
Terça-feira, 30 de Março de 2010, 22h:34
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Blairo pelos caminhos de Mato Grosso
EDUARDO GOMES
Da Reportagem
Em 2003 a campanha de Blairo Maggi ao governo foi manga curta, porque sua candidatura surgiu de última hora. O avião o levou a várias cidades, mesmo assim o novo governador admitia não conhecer bem a realidade dos municípios, condição essa que o motivou a idealizar a Expedição Estradeiro que revirou Mato Grosso de ponta cabeça para compreender suas demandas e também para ouvir o clamor popular. O primeiro Estradeiro começou em Nova Santa Helena, no Nortão, cruzou o Parque Indígena do Xingu, entrou no Vale do Araguaia, passou por São José do Xingu, Santa Cruz do Xingu, Vila Rica, Querência, Barra do Garças, Araguainha, Alto Garças e cidades do percurso, retornando a Cuiabá. Depois, novos Estradeiros cobriram as demais regiões e um levou Blairo ao outro lado dos Andes, no Chile e Peru via Bolívia. Parte do secretariado integrava a comitiva do governador nos Estradeiros. Por onde passava a assessoria de Blairo despachava e agendava atendimento às demandas. A primeira-dama e secretária de Trabalho, Emprego, Cidadania e Assistência Social, Terezinha Maggi, esteve em todos os momentos ao lado do marido. Com paciência beneditina, por onde passava, o governador ouvia a população. Atento a tudo, separava o cenário real dos quadros mascarados e, em nome disso, no primeiro Estradeiro deu puxão de orelha no prefeito de Santa Cruz do Xingu, Carlos Roberto Rempel, que mandou patrolar a estrada por onde sua comitiva passou. Isso(o patrolamento) me desagradou; pedi que não mexessem nas estradas porque queria me deparar com a realidade que o pessoal daqui enfrenta no cotidiano, desabafou no pronunciamento feito no centro comunitário de Santa Cruz. A fala de Blairo arrancou demorado aplauso. O segundo Estradeiro revelou a Blairo uma situação que nunca esteve na pauta dos governos anteriores. Até então, os gabinetes dos comandantes dos comandos regionais de áreas da Polícia Militar eram instalados em Cuiabá. A descoberta foi ocasional. Moradores da vila Nova União, em Cotriguaçu, pediram a instalação de um destacamento da PM. Blairo mandou chamar o comandante da região. Um assessor lhe disse que o coronel despachava em Cuiabá. Isso não pode continuar, desabafou o governador. Naquele momento, sem que soubessem os coronéis titulares dos comandos regionais ganhavam passagem para o interior. Blairo interiorizou os comandos regionais da PM. Essa mudança melhorou o desempenho da corporação e aboliu de vez a esdrúxula figura dos coronéis do corredor que era o jocoso apelido que se dava aos coronéis que congestionavam os corredores do Comando Geral da PM, por falta de atividade operacional e administrativa causada pela concentração dos oficiais de altas patentes no mesmo local. Nos primeiros meses do governo, Blairo intercalava despachos no gabinete com viagens a Brasília e os Estradeiros. Assim, costurava as peças para levar adiante sua meta administrativa. Na campanha eleitoral, Blairo prometeu que construiria 20 mil casas em quatro anos. Adversários debocharam. Como fazer tanta moradia assim, se Mato Grosso não tinha política habitacional e até mesmo a Companhia de Habitação (Cohab) fora extinta? Por sorte o compromisso na área habitacional não era mera promessa de campanha e o governador criou o programa Meu Lar para ser tocado pela Secretaria de Infraestrutura (Sinfra). Diante do que viu nos Estradeiros Blairo compreendeu que 20 mil casas não seriam suficientes para amenizar o déficit habitacional. Ao término de seu primeiro mandato a meta foi superada em 61,92% e Mato Grosso ganhou 31.791 novas moradias pelo Meu Lar. Melhor ainda: ao transmitir o Paiaguás ao governador Silval Barbosa, Blairo alcança a marca de 61.421 casas construídas em todas as cidades, em vilas, na zona rural e em aldeias indígenas, o que significa teto para 307 mil mato-grossenses. A quantidade de casas construídas é suficiente para assegurar moradia para 10,22% da população mato-grossense e figuradamente representa uma cidade imaginária maior que a soma de Várzea Grande (237.925 residentes) com Sorriso (60.028) e Nova Ubiratã (8.372).