Primeira Página
Terça-feira, 30 de Março de 2010, 22h:31
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Ajustes para afinação do governo
Nos primeiros momentos Maggi era visto com ressalvas. Ambientalistas temiam o avanço desordenado da soja. A rotatividade do poder político mato-grossense era ditada por momentos eleitorais, mas sempre com nomes da cuiabania se revezando no Paiaguás; o novo governador não era a Cara nem a Coroa da moeda que se jogava para cima a cada quatro anos: tratava-se de paranaense radicado em Rondonópolis. A maioria na Assembleia era formada pelo PSDB e seus aliados que foram derrotados na disputa majoritária no ano anterior, o que em tese criava ambiente desfavorável ao governante. Maggi sabia do cerco político natural sobre seu governo que ora começava. Sua meta era transferir para a administração pública os conceitos da iniciativa privada e para tanto calcava essa proposta em quatro pilares: honestidade, transparência, eficiência e ousadia. O governador queria levar adiante tal propósito e depositava todas as fichas no secretariado, a ponto de insistir na tese de que não mexeria no seu primeiro escalão ao longo do mandato. A solidão do poder e o cerco político agravado com as pressões ambientais tanto no Brasil quanto no exterior criaram ambientes que exigiam mudanças na equipe de Maggi, mas ele, cauteloso, tentava manter a unidade. Seis meses após a posse, Maggi mexeu na Secretaria de Esportes e Lazer: saiu Ademir Moreira Neves, de Cuiabá, entrando Baiano Filho, de Sinop. Dois meses depois do adeus de Ademir, Luzia Leão (Saúde) entregou o cargo e obrigou Maggi ao primeiro jogo de cintura. Gabriel Novis foi remanejado da Educação para a Saúde e ficou na função somente 24 dias. Novis pegou o jaleco e voltou para sua clínica. O governador nomeou Ana Carla Muniz, mulher do então prefeito de Rondonópolis, Percival Muniz, para a Educação, o que reforçou a participação da República de Rondonópolis no poder. Marcos Machado (Administração) e também de Rondonópolis passou a acumular as duas Pastas. Finalmente, em dezembro daquele ano, Marcos Machado deixou a Administração e foi substituído pelo secretário-adjunto Geraldo de Vitto, que também é de Rondonópolis. O governo chegou afinado ao final do ano de 2003 e assim atravessou 2004. Porém, no começo de junho do ano seguinte a Polícia Federal deflagrou a Operação Curupira, que prendeu dezenas de servidores da Fundação do Meio Ambiente (Fema) e do Ibama, sob acusação de prática de crimes ambientais. Dentre os presos Moacir Pires, que presidia a Fema. Políticos pediram a Maggi que aceitasse o pedido de exoneração de Pires, mas o governador preferiu demiti-lo e em ato contínuo criou a Secretaria de Meio Ambiente (Sema) nomeando Marcos Machado para dirigi-la. Com a migração de Marcos Machado para a Sema, Maggi nomeou o secretário-adjunto de Saúde, Augustinho Moro, titular daquela secretaria. Posteriormente aconteceram outras mudanças, mas a estrutura da administração foi mantida. Os remanejamentos dos nomes aconteceram com naturalidade como ocorre em todo governo de longa duração, e alguns deles de secretários que disputaram eleições, para atender exigências da legislação eleitoral. No entanto, o governador teve que nomear José Aparecido dos Santos, o Cidinho, para a Secretaria Extraordinária de Projetos Estratégicos, em razão do falecimento de Clóves Vetoratto, seu titular, e que por curto período também foi secretário de Desenvolvimento Rural. Vetoratto perdeu a luta contra o câncer e morreu em 18 de abril de 2008 numa UTI do Hospital Santa Rosa, em Cuiabá, depois de longa agonia. No sepultamento do amigo Vetoratto, Maggi chorou pela segunda vez no governo; a primeira foi quando ouviu a Canção da Família, na solenidade de sua posse. (EG)