Primeira Página
Terça-feira, 30 de Março de 2010, 22h:34
A
A
A arte da composição política
Blairo Maggi conquistou o poder, mas seu partido era minoria na Assembleia Legislativa. Antes mesmo da posse Blairo tinha a maioria dos deputados em sua base de sustentação. Sete meses após assumir o Paiaguás o governador foi à Juína e o deputado estadual petista e anfitrião Ságuas Moraes revelou num pronunciamento o clima de entendimento entre os dois poderes. Entusiasmado, Ságuas disse que Blairo mesmo carregando o rótulo de não ser político era o maior político que conhecia, porque em curto tempo tinha a maior base de sustentação parlamentar de Mato Grosso em todos os tempos. Para comprovar o que dizia citou nominalmente os 22 deputados presentes: Joaquim Sucena, José Riva, Mauro Savi, Verinha Araújo, Zeca DÁvila, Sebastião Rezende, Sérgio Ricardo, João Malheiros, Chico Daltro, Silval Barbosa, Eliene Lima, Campos Neto, Serys Slhessarenko, Renê Barbour, DalBosco, Pedro Satélite, Alencar Soares, Jota Barreto, José Carlos de Freitas, Nataniel de Jesus, Carlos Brito (licenciado para chefiar a Casa Civil) e Ana Carla. Alguém alertou o orador que ele não estava relacionado entre os citados e a observação levou o auditório ao riso. A boa relação de Blairo com a Assembleia atravessou seus dois mandatos no governo, mas nunca impediu que ambas as partes divergissem em alguns temas. Vetos e derrubadas de vetos foram componentes sempre presentes nas relações institucionais. A política de boa relação de Blairo com os parlamentares o levou a nomear três deputados para a chefia da Casa Civil: Carlos Brito (PDT), Joaquim Sucena (DEM) e João Malheiros (PR) ocuparam o cargo, que também foi exercido por Luiz Antônio Pagot e Eumar Novacki. Ságuas foi secretário de Educação no segundo mandato do governador que ora deixa o poder. Não é fácil manter harmonia entre Executivo e Legislativo, porque legislatura de Assembleia é composta por deputados que defendem formas de pensamento e conceitos políticos conflitantes. Para harmonizar as relações entre os poderes é imprescindível a atuação de líderes entre seus pares parlamentares. Silval Barbosa foi deputado pelo PMDB no primeiro mandato de Blairo, e nesse quadriênio por dois anos presidiu a Assembleia. O papel de Silval foi fundamental ao perfeito entrosamento entre a Assembleia e o Palácio Paiaguás. Blairo reconheceu esse mérito em Silval e o convidou para companheiro de chapa na eleição de 2006. No governo, Silval se destacou a tal ponto, que o grupo político no poder o escolheu candidato a governador. (EG)