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Cuiabá MT, Terça-feira, 09 de Junho de 2026

POLÍTICA
Terça-feira, 09 de Junho de 2026, 09h:12

JUDICIÁRIO SOB SUSPEITA

Relembre outras operações sobre venda de decisões em tribunais

Desde os anos 2000, país assiste a uma sucessão de investigações que expõem a venda de decisões nas cúpulas do Judiciário

MARIANA GRASSO
Da Folhapress - São Paulo
Divulgação
Em 2010, o então presidente do TRE-MT, Evandro Stábile, foi condenado por venda de sentença e pegou prisão

A PF (Polícia Federal) cumpriu mandados de busca e apreensão, na segunda-feira (8), contra o desembargador Dirceu dos Santos, do Tribunal de Justiça de Mato Grosso, e o deputado estadual Faissal Calil (PL).

A operação, autorizada pelo STJ (Superior Tribunal de Justiça), investiga um suposto esquema de comercialização de decisões judiciais.

A operação desta segunda não é um caso isolado.

Leia também:

PF aponta empresário como operador de pagamentos de desembargador

Desde os anos 2000, o Brasil assistiu a uma sucessão de grandes investigações federais que expuseram a venda de decisões nas cúpulas do Judiciário.

A decisão judicial deveria ser um ato estritamente técnico e baseado nas leis.

Contudo, o alto impacto econômico e político estimula um mercado ilegal. Relembre outras investigações:

OPERAÇÃO SISAMNES/2026 - A PGR (Procuradoria-Geral da República) apresentou ao STF, em 27 de maio, a primeira denúncia da Operação Sisamnes.

A denúncia acusa nove pessoas, incluindo o lobista mato-grossense Andreson de Oliveira Gonçalves, ex-servidores e advogados, por operar um balcão de venda de minutas de votos e vazamento de dados no STJ (Superior Tribunal de Justiça), de 2019 a 2023.

O caso, relatado pelo ministro Cristiano Zanin, começou a ser investigamento após o assassinato do advogado Roberto Zampieri em Cuiabá.

OPERAÇÃO INAUDITUS/2026 - Em 1º de abril, a PF deflagrou a Operação Inauditus para cumprir 25 mandados de busca.

A ação prendeu preventivamente o ex-assessor Lúcio Fernando Penha Ferreira, apontado como o operador financeiro que coordenava a venda de decisões e a manipulação na distribuição de processos no TJ-MA.

A ação determinou o afastamento imediato dos desembargadores Antônio Pacheco Guerreiro Júnior e Luiz de França Belchior Silva sob suspeita de corrupção e organização criminosa. 

A PF apreendeu um helicóptero, joias e carros de luxo avaliados em R$ 13 milhões. Foram bloqueados R$ 50 milhões em bens dos investigados.

OPERAÇÃO ULTIMA RATIO/2024 - A PF apontou suspeitas de corrupção contra desembargadores do TJ-MS, e cinco deles foram afastados pelo STJ em 2024.

O ex-presidente da corte Sérgio Fernandes Martins reassumiu o cargo por ordem do ministro do STF Cristiano Zanin.

OPERAÇÃO 18 MINUTOS/2024 - Deflagrada em agosto de 2024, a operação resultou no indiciamento dos desembargadores Nelma Sarney, Guerreiro Júnior e Luiz Gonzaga, além de dois juízes.

A suspeita era de manipulação de processos do tribunal, com o intuito de obter vantagem financeira, e de fraude em decisões judiciais para desvio de recursos do Banco do Nordeste.

OPERAÇÃO FAROESTE/2019 - A Operação Faroeste, deflagrada em 2019, atingiu 12 desembargadores e 12 juízes de primeira instância da Justiça da Bahia.

O caso tramita no STJ e registrou a primeira delação premiada de um magistrado na história, feita pela desembargadora Sandra Inês Rusciolelli.

O caso trata da venda de decisões judiciais relacionadas a esquema de grilagem e disputa de terras no oeste da Bahia.

Em maio de 2026, a Corte Especial do STJ aceitou mais uma denúncia do MPF no caso.

OPERAÇÃO EXPRESSO 150/2015 - Conhecida também como Operação Plantão, a ação foi deflagrada pela PF em junho de 2015 para apurar um comércio de alvarás de soltura no TJ-CE voltado a liberar criminosos.

O esquema era operado por advogados e intermediários que compravam as liminares por aplicativos de mensagens pelo valor padrão de R$ 150 mil durante plantões de fins de semana, o que resultou na aposentadoria compulsória dos desembargadores envolvidos.

Em 2024, o MP-CE ingressou com recurso de apelação ao TJ-CE contra sentença de primeira instância, pedindo o aumento da pena de um ex-desembargador e de um advogado.

OPERAÇÃO ASAFE/2010  - A PF deflagrou a Operação Asafe em maio de 2010.

A ação envolvia uma rede de advogados, lobistas e magistrados suspeitos de fraudar julgamentos e vender decisões no Tribunal de Justiça e no TRE-MT (Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso).

O objetivo seria influenciar litígios e manter prefeitos no cargo.

Em novembro de 2015, o desembargador Evandro Stábile, ex-presidente do TRE-MT, recebeu pena de seis anos de reclusão em regime fechado por cobrar propina para manter o mandato da então prefeita de Alto Paraguai (218 km a Médio-Norte de Cuiabá).

O CNJ aplicou punições de aposentadoria compulsória a outros envolvidos.

OPERAÇÃO NAUFRÁGIO/2008 - A investigação de 2008 apurou uma rede de venda de decisões no TJ-ES (Tribunal de Justiça do Espírito Santo).

O caso só teve a denúncia recebida pelo STJ em 2021.

No julgamento do mérito, dez pessoas foram condenadas, com a maior pena aplicada ao advogado Paulo Guerra Duque, com 21 anos de prisão.

OPERAÇÃO TÊMIS/2007- A PF deflagrou a Operação Têmis em abril de 2007 para investigar a venda de decisões na Justiça Federal em São Paulo voltada a fraudes fiscais.

A ação ocorreu após a delação do operador financeiro Lúcio Funaro, que afirmou que o grupo cobrava propinas de até R$ 300 mil para livrar empresas de dívidas milionárias.

Apesar de mirar três juízes de segunda instância do TRF-3 (Tribunal Regional Federal da 3ª Região), o STJ rejeitou a denúncia por falta de provas, resultando apenas na aposentadoria compulsória da juíza Maria Cristina Barongeno.

OPERAÇÃO HURRICANE/2007 - Deflagrada em abril de 2007, investigou uma organização suspeita de vender liminares para blindar o jogo do bicho e bingos no Rio de Janeiro.

O escândalo atingiu o topo do Judiciário e do Carnaval carioca.

Entre os acusados estavam os desembargadores, chefes de escolas de samba, e o ministro do STJ Paulo Medina, acusado de negociar uma liminar por R$ 1 milhão.

Medina foi aposentado compulsoriamente em 2010.

OPERAÇÃO ANACONDA/2003 - Deflagrada em outubro de 2003, a Operação Anaconda mirou um "balcão de negócios" na Justiça Federal em São Paulo.

Apontado como mentor do esquema, o então juiz federal João Carlos da Rocha Mattos, foi demitido e condenado a 30 anos de prisão por corrupção passiva e formação de quadrilha.

Ele foi para o regime aberto em 2011 e morreu aos 74 anos, em setembro de 2022.


Edição EDIÇÃO 16958




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