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POLÍTICA
Quinta-feira, 04 de Agosto de 2022, 16h:57

MEMÓRIA

Bolsonaro defendeu urna eletrônica contra fraude no voto impresso

Em 1993, então deputado federal pediu informatização para garantir lisura do processo eleitoral

DANIEL SALOMÃO ROQUE
Da Folha de S. Paulo c/BBC News Brasil
Arquivo/Câmara dos Deputados
Em 1993, Bolsonaro defendeu que eleições fossem informatizadas pelo TSE

"Esse Congresso está mais do que podre", gritou o então deputado federal Jair Bolsonaro no dia 20 de agosto de 1993.

"Estamos votando uma lei eleitoral que não muda nada. Não querem informatizar as apurações. Sabe o que vai acontecer? Os militares terão 30 mil votos, e só serão computados 3.000".

Bolsonaro, então filiado ao PPR (Partido Progressista Reformador) de Paulo Maluf, discursava a coronéis e generais da reserva na sede do Clube Militar do Rio num evento para discutir a "salvação do Brasil".

Defendia a nascente urna eletrônica como antídoto contra fraudes que ocorriam no voto impresso.

A maior parte da reunião, segundo o Jornal do Brasil à época, ocorreu sob sigilo, com os participantes divididos em seus planos para a retomada do poder.

Uns defendiam o lançamento de candidaturas às eleições de 1994. Outros, como Bolsonaro, sustentavam que a via democrática era um "sistema viciado". 

"Independentemente das pequenas divergências, nós já somos uma força política —e estamos crescendo", disse no evento do clube militar Euclydes Figueiredo (1919-2009), irmão de João Figueiredo (1918-1999), último presidente da ditadura militar brasileira. "Não queremos o golpe, mas eles nos temem."

No final daquele ano, enumeraria as providências que julgava necessárias para garantir a lisura do processo eleitoral —entre as quais, a proibição do voto dos analfabetos, a exigência de segundo grau (hoje chamado de ensino médio) para os candidatos e a informatização das eleições.

"Só com essas medidas conseguiríamos evitar os votos comprados", disse.

As declarações contrastam com uma das principais plataformas do atual presidente: lançar desconfiança sobre a urna eletrônica. 

As investidas de Bolsonaro contra o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) vêm se acirrando desde 7 de outubro de 2018, com a definição do segundo turno contra Fernando Haddad (PT) na última disputa presidencial.

"Lamentavelmente, o sistema derrotou o voto impresso", disse o então candidato do PSL. "Se tivéssemos confiança no voto eletrônico, já teríamos o nome do futuro presidente decidido no dia de hoje."

No último dia 14 de julho, o Ministério da Defesa sugeriu, para o pleito de 2022, uma votação paralela em cédulas de papel, sob a justificativa de testar a confiabilidade do sistema eletrônico.

Quatro dias depois, em uma reunião com embaixadores estrangeiros no Palácio da Alvorada, Bolsonaro criticou ministros do TSE e do Supremo Tribunal Federal (STF), acusando-os de sabotar eventuais medidas de transparência.


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