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Cuiabá MT, Terça-feira, 09 de Junho de 2026

POLÍCIA
Sábado, 26 de Julho de 2008, 14h:07

POLICIAIS MILITARES

Treinamento precisa ser constante

DANA CAMPOS
Da Reportagem
A detenção de uma torcedora no estádio Luthero Lopes, durante o jogo entre o União e Vila Aurora, há uma semana em Rondonópolis, chamou a atenção de muita gente pela violência das cenas. As imagens em que mostravam cinco militares prendendo a mulher foram divulgadas em rede nacional de televisão e também na internet. Terá sido uma ação truculenta? Nos últimos dias, o noticiário nacional tem mostrado vários casos em que policiais são autores de ações desastrosas – como a que terminou na morte do menino João Roberto, no Rio de Janeiro. Como é que a polícia se prepara para agir em situações de choque? Será que a sociedade está protegida, ou também tem sido refém não somente de bandidos, mas também da própria polícia? Essas têm sido as mais recentes indagações dos brasileiros em relação à segurança. Em Mato Grosso, um caso de despreparo cometido por policiais, e que também se tornou alvo de discussão em todo o país, foi a simulação de um seqüestro que resultou no assassinato de Luiz Henrique Dias Bulhões, de 12 anos, em maio do ano passado, também em Rondonópolis. Naquele dia, sete militares agiram diretamente na simulação. Dois deles - o cabo Joailton Lopes de Amorim e o soldado Cléber dos Santos Souza - foram apontados como suspeitos de terem efetuado os disparos com munição verdadeira, quando deveriam ter utilizado balas de festim. Hoje o processo tramita na Justiça Militar. O coordenador do Núcleo de Violência e Cidadania da Universidade Federal de Mato Grosso (Nievci-UFMT), o professor e doutor Naldson Ramos da Costa, aponta uma série de fatores que contribuem para que policiais violem os direitos humanos e extrapolem suas funções. Segundo sua tese de doutorado “Violência Policial, Segurança Pública e Práticas Civilizatórias nas Polícias de Mato Grosso”, o preconceito social contra negros, homossexuais, prostitutas, menores e outros membros da sociedade; a inobservância ou desconhecimento de normas técnicas de procedimentos e problemas de naturezas psico-sociais são alguns dos principais pontos que podem acarretar em uma ação violenta ou desastrosa. “Hoje o trabalho do policial é feito com muita certeza ou discricionariedade. Há altas doses de acertos, mas também altas doses de ambigüidades”, afirma. Conforme ele, uma situação que exija um melhor preparo policial, tanto pode resultar em um êxito como numa tragédia. “Como foi o caso da criança morta no Rio de Janeiro. Ali os policiais não hesitaram. O pensamento era apenas de eliminar o ‘bandido’, no entanto, alvejaram uma criança”, exemplifica. De acordo com o tenente coronel do Batalhão de Operações Especiais (Bope) da PM, José Antonio Gomes Chaves, no Estado os policiais recebem o treinamento adequado e constante. Atualmente, a formação de praças, feito pelo Centro de Formação e Aperfeiçoamento de Praças (Cefap), tem duração de seis meses. Já a formação de um oficial é de três anos. Em ambos os cursos, os policiais aprendem técnicas de abordagem, tiros e doutrinas militares. A diferença, segundo ele, está nos níveis estratégicos e operacionais. Conforme Chaves, fica a cargo de oficiais o planejamento tático, o desenvolvimento, o controle e a avaliação dos procedimentos técnicos operacionais.

Edição EDIÇÃO 16958




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