POLÍCIA
Terça-feira, 02 de Outubro de 2007, 11h:24
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ALVO PREFERIDO
Roubar computador é tarefa fácil
Roubar computadores ou parte deles é uma tarefa fácil para os bandidos, mas a polícia tem grande dificuldade para localizar tanto os ladrões como os produtos roubados. Novo alvo das quadrilhas especializadas, o roubo de CPUs (memória do computador) e de telas em LCD estão entre os produtos de maior lucro e também, na outra ponta, mais difíceis de serem localizados pela polícia. Neste ano, em três assaltos, foram roubados mais de 300 computadores, sendo a maior parte telas em LCD e nenhum foi recuperado. Com tantos coisa roubada, uma das suspeitas é de que esses produtos tenham abastecido o mercado negro de computadores. O foco das quadrilhas, segundo a Polícia, seriam as lan-houses clandestinas (casas de jogos eletrônicos), que costumam ter, em média, 20 computadores. Com a expansão das lan-houses, não descartamos a hipótese de algumas delas estarem usando equipamentos roubados, mas o forte mesmo é vender para as pessoas comuns, explicou o delegado Luciano Inácio, da Gerência de Repressão a Seqüestros e Investigações Especiais (GRESIE) da Polícia Civil, que investiga vários roubos desses equipamentos ocorridos recentemente. Segundo ele, a maior dificuldade dos policiais é identificar os componentes, pois os bandidos descaracterizam o CPU trocando a carcaça, instalando novos componentes e limpando a memória. Com isso, refazem o computador, que fica diferente daquele que foi roubado e pronto para ser entregue ao receptador. Em maio, ladrões invadiram a Unirondon, na avenida Beira Rio, onde roubaram 89 computadores. Um mês depois, dezenas de carcaças foram localizadas do outro lado da Ponte Sérgio Mota, em Várzea Grande, abandonadas num matagal. Para o delegado Luciano Inácio, não há sinal identificador de que essas carcaças façam parte do lote roubado. São da mesma marca e cor. Mas o que poderia identificá-las seria o conteúdo, observou. Para o delegado Antônio Carlos Garcia, da Delegacia de Repressão a Roubos e Furtos (Derrf) de Várzea Grande, são poucos os bandidos especializados nesse ramo. Assinalou que existem entre cinco e 10 pessoas que vivem do comércio de computadores roubados e, mesmo assim, não é fácil flagrá-los com os produtos irregulares. Em maio, ocorreu o maior roubo de monitores de LCD em Mato Grosso. Cerca de 180 peças ainda nas caixas foram levadas por ladrões que invadiram uma empresa de processamento de carnes em Nova Mutum. Os equipamentos foram levados antes de serem instalados, deixando na Polícia a suspeita de que algum funcionário - tanto da empresa como de quem revendeu - passou informações para os bandidos. Uma das suspeitas é que essas peças tenham sido levadas para outros Estados. Mais valioso que o próprio CPU, os monitores são fáceis de carregar e não existe um código identificador do produto, ao contrário de que ocorre no caso de um automóvel, por exemplo. (AR)