O trabalhador braçal Osvaldo Oliveira, de 25 anos, foi assassinado com um tiro na testa ontem de madrugada próximo ao muro do mini-estádio do CPA II, em Cuiabá. O cadáver foi localizado por volta das 8 horas por moradores que saíam para trabalhar. Ao lado do cadáver, policiais militares apreenderam uma mariquita - cachimbo usado para fumar crack. Para policiais da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), o crime seria um acerto de contas envolvendo drogas. Moradores disseram ter ouvido tiros por volta das 3 horas, mas não saíram para verificar o que tinha ocorrido. Aqui (próximo ao mini-estádio) é escuro e um lugar ideal para viciados porque além de ninguém enxergar nada, tem muito matagal. Não sabemos o que fazer. Viciado à noite é o que não falta por aqui, disse um morador. Para o delegado Vaíte Eugênio de Oliveira, de plantão na DHPP, o local onde ocorreu o crime favorece o uso de drogas e, como conseqüência, ocorrem os assassinatos. Irmãos de Osvaldo reforçam a suspeita de crime envolvendo drogas. Segundo um deles, a vítima trabalhava fazendo bicos, mas há seis meses enveredou pelo caminho das drogas e não teve mais retorno. Explicou que Osvaldo deixou de trabalhar para usar drogas mais pesadas. Há uns seis meses meu irmão até trabalhava, fazia pequenos serviços. Mas depois, não trabalhou mais. Só ficou na droga, uma pena, disse um irmão que esteve no local. Desde essa época, Osvaldo sofria ameaças provavelmente por traficantes. Em setembro, o braçal sofreu uma tentativa de homicídio. Ao perceber que seria baleado, Osvaldo saiu correndo, mas foi atingido nas nádegas. A vítima não disse aos irmãos quem foi o autor do crime. Os irmãos disseram aos policiais que Osvaldo era investigado no assassinato da própria esposa, ocorrido no final de 2003 no bairro Tancredo Neves.