POLÍCIA
Sexta-feira, 23 de Outubro de 2009, 00h:10
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EXECUÇÃO
Presidente do PRP é assassinado a tiros
Arkybaldo dos Santos levou três tiros na porta de seu estabelecimento, no Centro. Polícia investiga se motivação é política
ADILSON ROSA
Da Reportagem
O presidente estadual do Partido Republicano Progressista (PRP) e empresário Arkybaldo Junqueira dos Santos, de 52 anos, foi assassinado com três tiros ontem de manhã, no centro de Cuiabá, após abrir a empresa e retirar seu carro da garagem, um Ecosport. Testemunhas disseram que um homem armado com um revólver estava no ponto de ônibus em frente ao prédio, localizado na rua Papa João XXIII, no bairro Poção. O criminoso cruzou a avenida e esperou a vítima entrar no prédio. Assim que chegou à porta, a vítima foi atingida por um tiro no braço. Tentou correr, mas o criminoso atirou mais cinco vezes e acertou dois tiros nas costas do empresário, que caiu morto na entrada do prédio onde funciona sua empresa, Mille Huma Comércio e Indústria. O criminoso foi visto fugindo a pé dobrando o quarteirão. A polícia suspeita que ele tenha embarcado em algum veículo ou motocicleta estacionada nas proximidades, onde um cúmplice o aguardava. O empresário estaria enfrentando problemas relacionados à sua empresa que estava preparando a cobrança de uma dívida de cerca de R$ 850 mil. Na tarde anterior, o empresário se reuniu com seus advogados para estudar a melhor forma de fazer a cobrança dos devedores. Além disso, se preparava para participar de uma licitação pregão eletrônico que aconteceria ontem à tarde, junto a Secretaria Estadual de Administração (SAD) para o fornecimento de alimentos em nível estadual. A Mille Huma é a atual principal fornecedora de cloro para a Sanecap, substituindo as empresas que se envolveram no escândalo conhecido como Máfia do Cloro. A empresa de Junqueira fornecia o produto à Sanecap com um preço quase 50% inferior ao adquirido anteriormente. Os familiares citaram também o fato de o empresário ter várias propriedades rurais na região de São José do Rio Claro, mas não forneceram detalhes se estavam sendo alvo de disputas. A princípio, o assassinato seria um crime de pistolagem, mas não está descartada a hipótese de um crime de conotação política. Estamos iniciando as investigações e trabalhando com várias vertentes. Inicialmente está descartada a hipótese de latrocínio (roubo seguido de morte), mas tudo aponta para um crime de mando (pistolagem), informou a delegada Sílvia Pauluzi, responsável pelas investigações. Para policiais da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), o criminoso sabia da rotina da vítima, uma vez que o empresário dormia no prédio e todo dia retirava o carro da garagem, antes de iniciar os trabalhos. O criminoso estava no ponto de ônibus como quem não quer nada. Foi visto muito tranqüilo. Teve o luxo de esperar a vítima abrir a porta e retirar o carro só para depois agir, observou um policial que participa das investigações. PASSAGENS A vítima constituiu ficha criminal no Estado. Em 1987, Junqueira teve duas passagens por tráfico de drogas, crime pelo qual já havia cumprido pena e estava quites com a Justiça. Em 2004, foi processado pela Justiça Eleitoral por falsidade ideológica e, há dois anos, também respondia inquérito por receptação de veículo.