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POLÍCIA
Quinta-feira, 26 de Junho de 2008, 21h:48

INFANTICÍDIO

Mãe confessa que matou filha de 23 dias

Juliana, 21 anos, procurou delegacia e disse que espancou e asfixiou bebê. Ela já tinha prisão decretada por participação na morte de outro filho

ADILSON ROSA
Da Reportagem
A jovem Juliana Jesus Miranda Silva, de 21 anos, confessou ontem ter matado a própria filha, um bebê de 23 dias de vida, na madrugada da última segunda-feira. Policiais da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) descobriram que, dois anos antes, ela participou da morte de outro filho e, por isso, já tinha a prisão decretada. Juliana relatou à delegada Anaíde de Barros que, por volta da meia-noite, o bebê estava chorando muito, o que a deixou incomodada. A partir daí, deu algumas pancadas na criança e acabou asfixiando-a. O bebê desmaiou e cerca de quatro horas depois Juliana acordou com a filha morta na cama. O fato ocorreu no quarto de um hotel próximo da Rodoviária, no bairro Alvorada, onde Juliana mora e trabalha. A confissão ocorreu ontem à tarde, na DHPP. Ela está com a prisão preventiva decretada acusada de facilitar a morte de outro filho – o menino Rodrigo Miranda, de 2 anos, fato ocorrido em 2006, em Barão de Melgaço (cidade a 115 quilômetros da Capital). Após o crime, ela ligou para o pai do bebê, Benedito Santana Costa, que viajou de Nova Mutum (cidade a 270 quilômetros da Capital) até Cuiabá chegando no início da tarde de segunda-feira. Ao chegar no hotel, encontrou a filha morta. “De imediato, percebemos que se tratava de uma morte violenta, a criança apresentava lesões na cabeça. Além disso, ela (Juliana) havia fugido, o que levantou mais suspeitas ainda”, observou um policial que esteve no local. Como durante o interrogatório Juliana apresentava sintomas de que estava sob efeito de drogas, o delegado Márcio Pieroni determinou um novo depoimento, este com o acompanhamento de um promotor de justiça. Ele serviu almoço para Juliana numa sala próxima para que ela se sentisse melhor. “Estamos fazendo um interrogatório acompanhado de várias pessoas, incluindo representantes do Ministério Público Estadual (MPE). É uma forma de não deixar dúvidas em relação ao nosso trabalho. Com isso, garantimos lisura”, frisou. Para a delegada, o crime é grave, pois trata-se de um homicídio do próprio filho. “Foram relatos frios e na frente de várias pessoas”, completou. Mesmo com 23 dias de vida, Juliana não tinha registrado a filha, nem colocado nome. Com a prisão decretada, ela será encaminhada para a penitenciária feminina Ana Maria do Couto May, de Cuiabá, onde ficará à disposição da Justiça.

Edição EDIÇÃO 16958




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