POLÍCIA
Sábado, 04 de Maio de 2013, 13h:05
A
A
IDA VERÔNICA
Familiares pedem mais empenho da Justiça
Cerca de 50 pessoas fizeram um protesto no centro de Cuiabá e irmã da vítima diz que retrato-falado não lembra criminoso
HELSON FRANÇA
Da Reportagem
Familiares amigos e conhecidos de Ida Verônica Feliz, 8 anos, sequestrada de dentro de casa, em Cuiabá, no dia 26 de abril, foram às ruas na manhã deste sábado (4) protestar e pedir ajuda à Justiça, para que o caso não caia no esquecimento. Responsável pela investigação, a Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO) da Polícia Judiciária Civil admite a possibilidade da garota já estar na Itália, em companhia dos pais biológicos apontados como principais suspeitos de arquitetarem o sequestro. A irmã adotiva de Ida, Daniele de Siqueira, 26 anos, recebeu uma mensagem via MSN, supostamente enviada por Élida Isabel Feliz, 35 anos, mãe biológica de Ida, dizendo que a garota estava na Itália e passava bem. O pai biológico da menina, Pablo Milano Escarfulleri, 46 anos é italiano. Desde a data do sequestro a família cuiabana de Ida não teve qualquer contato com a criança. Quem garante que ela está mesmo bem? Quem garante que os sequestradores a entregaram para os pais biológicos e que ela está na Itália?, indagou Daniele, a única pessoa que estava na casa no momento em que um homem armado a invadiu e levou Ida. Ela acredita que os criminosos possam estar divulgando informações falsas para confundir a polícia. Daniele ainda contou que o retrato falado divulgado pela Polícia Civil do sequestrador de Ida não tem nada a ver, e reclamou de ter sido procurada pelas autoridades para a confecção da imagem somente quatro dias depois do incidente quando a lembrança dos detalhes do aspecto físico do rapaz já não estava tão fresca na memória. Me colocaram um monte de foto de nariz, de boca, de olhos e fui escolhendo as que mais pareciam. A pessoa do retrato falado nem de longe lembra o homem que levou Ida, revelou. Ela disse, porém, que é capaz de reconhecer o sequestrador. A mãe adotiva de Ida, Tarsila Gonçalina de Siqueira, 56 anos, bastante emocionada, disse que a menina nunca perguntava dos pais biológicos. Ela me chamava de mãe-avó. Era extremamente carinhosa. Ficávamos juntas a maior parte do tempo, desabafou. Ida, que nasceu na República Dominicana, mora com a família adotiva desde os três meses. Daniele a encontrou abandonada em um hotel de Cuiabá em que trabalhava e a levou para casa. Os Siqueira conseguiram, posteriormente, a guarda da menina na Justiça. Os pais biológicos da criança são traficantes internacionais de droga e chegaram a ser condenados no Brasil. O casal foi expulso do país e perdeu a guarda de Ida e de outra criança, Pietro. Em 2010, na época com 4 anos, o garoto foi levado do abrigo público onde vivia, em Tubarão (SC). As autoridades brasileiras acreditam que ele esteja vivendo com Pablo e Élida. Além da GCCO, a Interpol (Organização Policial Internacional) investiga o caso. A manifestação deste sábado reuniu pouco mais de 50 pessoas, e seguiu da Praça Bispo Dom José até a Santos Dumont, na avenida Getúlio Vargas.