POLÍCIA
Sábado, 05 de Fevereiro de 2005, 13h:07
A
A
VIOLÊNCIA
Dobra número de assassinato de jovens
Janeiro foi um mês violento para pessoas de até 24 anos, com 20 execuções, contra dez do mês anterior
ADILSON ROSA
Da Reportagem
O número de jovens de 18 até 24 anos assassinados na Grande Cuiabá dobrou nos últimos dois meses. Em dezembro, foram 10 assassinatos de pessoas nesta faixa etária. No mês passado, subiu para 20. O levantamento foi realizado pela da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) da capital. Os números apontam que, de dezembro a janeiro, um jovem foi assassinado a cada dois dias em Cuiabá ou Várzea Grande. Janeiro bateu um novo recorde, perdendo apenas para setembro de 1998, quando 21 jovens foram executados na capital. A polícia admite que não há um motivo plausível para explicar essa matança de jovens. Estamos vivendo numa verdadeira guerra e quem morre mais são os jovens. Um verdadeiro infanticídio que atinge todo o país e também a Grande Cuiabá. São necessárias medidas urgentes para reverter esse quadro, observa o doutor em Sociologia e professor da UFMT, Naldson Ramos. Segundo ele, há três determinantes que levam os jovens a ser vítimas de mortes violentas por armas de fogo e outros objetos. Um deles é psicológico, outro social e outro cultural. Os jovens são abertos a situação de risco. Soma-se a isso a desagregação familiar e também a visão machista da sociedade. Esses são os fatores que se aplica em todo o Brasil, ressalta. O delegado João Bosco de Barros, titular da DHPP, informa que o tráfico de drogas, as brigas de bar e, em algumas situações, o crime passional são as principais causas dos assassinatos. Droga porque o jovem compra e não paga o traficante. As brigas de bar ocorrem nos fins de semana depois de muita bebedeira. E temos também os jovens que matam ou morrem por causa da namorada, observa. Pelo levantamento da DHPP, a maior parte dos jovens exterminados são oriundos da classe baixa, moram em bairros periféricos há poucos casos de jovens de classe média assassinados. Trabalhadores e classe média são exceção. O jovem de classe média não é morto por traficantes. Ele tem dinheiro, dá um jeito de pagar a droga, vende algum produto de casa. E com o jovem pobre não acontece o mesmo e ele acaba dando o calote, completa Naldson Ramos. Há casos também de assassinato por engano. A execução de Marcos José de Souza, de 23 anos, no Jardim União, ilustra a situação. Ele pilotava uma motocicleta levando na garupa um colega que estava sendo ameaçado por traficantes do bairro. O piloto recebeu um tiro e morreu. Já o colega, que seria o alvo, sobreviveu.