POLÍCIA
Quinta-feira, 25 de Fevereiro de 2010, 10h:51
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CRIME ORGANIZADO
Defesa de Célio quer antecipar júri
Aproveitando-se da data já estipulada para outro julgamento, cujo caso foi suspenso, advogado do ex-militar quer que ele seja julgado em 25 de março
ADILSON ROSA
Da Reportagem
Com o cancelamento do julgamento dos ex-militares Célio Alves de Souza e Hércules Araújo Agostinho pelo assassinato de Rivelino Brunini e Fauzy Rachid Jaudi Filho, os advogados de Célio entraram com pedido de aproveitamento da data. Eles querem que o ex-militar seja julgado pela execução do empresário Mauro Sérgio Manhoso, ocorrido no dia 9 de outubro de 2000, no centro da Capital, outro crime de pistolagem de que é acusado. Segundo o advogado Valdir Caldas, o pedido foi realizado junto à 12ª Vara Criminal para que o processo seja encaminhado para a 1ª Vara Criminal e o julgamento, marcado. O processo está pronto, pois já foi realizada a pronúncia e estava sendo justamente aguardada uma data para a realização do julgamento. Já o processo que apura os outros dois homicídios está suspenso depois que a Justiça estadual suscitou conflito de competência para julgar o caso. Dos três denunciados no caso Manhoso, apenas João Arcanjo Ribeiro entrou com recurso e o processo foi desmembrado. Caso o pedido seja aceito, Célio e Hércules serão julgados no dia 25 de março como executores do empresário. Hércules, Célio e João Arcanjo estão denunciados por crime de homicídio triplamente qualificado. As qualificadoras são motivo torpe (vingança), mediante recompensa (pagamento) e recurso que impossibilitou a defesa da vítima. Hércules é réu confesso em relação à execução de Manhoso. Em depoimento à Justiça, disse que agiu a mando do ex-bicheiro João Arcanjo Ribeiro e apontou o cúmplice como autor dos tiros. Célio, por sua vez, negou qualquer participação no assassinato. Em seu depoimento, Hércules detalhou que só ficou sabendo do plano de execução e da identidade da vítima cerca de 20 minutos antes de encontrar Célio Alves. O ex-cabo relatou que encontrou Célio Alves perto do Colégio São Gonçalo, na avenida Tenente Coronel Duarte (Prainha), de onde seguiram em uma moto para a rua Comandante Costa. Lá aguardaram a saída de Mauro Manhoso da empresa para segui-lo até matá-lo duas quadras depois, num cruzamento próximo da antiga sede da Assembleia Legislativa. Ele disse que pilotou a moto enquanto Célio ficou encarregado de atirar. De acordo com Hércules, foi o próprio Célio quem lhe disse que o crime era uma encomenda do ex-bicheiro João Arcanjo. O ex-cabo disse ainda que receberam R$ 8 mil para essa tarefa, dinheiro que foi dividido em partes iguais, ou seja, R$ 4 mil para cada um. A execução de Mauro Manhoso teria origem na criação de uma loteria, uma espécie de raspadinha. Além de criar o jogo, Manhoso passou a comercializar os bilhetes nas bancas do jogo do bicho instaladas por João Arcanjo sem que para isso tivesse a autorização do líder da contravenção no Estado, conforme relato de Hércules. O empresário era dono de uma empresa que prestava serviços de informática e gerenciava programas de computador para produção de cartelas de bingo.