POLÍCIA
Segunda-feira, 07 de Junho de 2004, 20h:17
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FUGA
Agentes não fazem ronda no Carumbé
Apenas dois deles estavam de plantão na madrugada de sábado, dia em que 39 presos conseguiram fugir da cadeia
ADILSON ROSA
Da Reportagem
Os dois agentes prisionais de plantão no dia da fuga dos 39 presos do Carumbé disseram aos policiais do Grupo de Combate ao Crime Organizado (GCCO) que, durante as noites, ficam na frente do prédio, no setor de recepção. Eles explicaram que não têm como fazer rondas, pois eram apenas dois para atender a 380 presos. Com isso, os presos puderam escavar o túnel de 60 metros sem serem flagrados. Os agentes acrescentaram ter feito vários relatórios explicando as condições do prédio e a impossibilidade de andar pelos corredores durante a noite. Normalmente, são três agentes por turno, mas no dia da fuga havia dois. Eles disseram que abrem exceção quando algum preso apresenta problemas de saúde e tem necessidade de levá-lo ao Pronto Socorro. O ideal, segundo eles, seria ter, no mínimo, 12 agentes prisionais por plantão. Diante de tanta tranqüilidade, os detentos tiveram todo o tempo possível para serrar as grades, abrir buracos entre as celas e escavar o túnel. Os policiais calculam que o túnel estivesse sendo escavado há mais de 30 dias, principalmente no período noturno. No buraco, foram encontrados ventiladores e lâmpadas para ajudar na escavação. Os presos tiveram tempo de escorar o buraco com garrafas plásticas colocadas na parte inferior do túnel. Os policiais estiveram no presídio e descobriram a existência de telefones buracos pelos quais os presos se comunicam entre as celas. Os policiais descobriram que os buracos que interligaram as três celas da ala M foram feitos há vários dias. Uma semana antes, houve uma revista na ala M, mas o túnel não foi localizado. Diante de um cenário tão favorável, os policiais acreditam que a cadeia esteja sem manutenção há algum tempo. O superintendente do sistema penitenciário, delegado Sebastião Ribeiro da Silva Filho, concordou com os policiais. A estrutura do prédio está deteriorada e não é de hoje não. Essa é a nossa grande dificuldade no Carumbé. A solução está nos módulos de aço, destacou. Ele se referiu aos conteiners instalados nos fundos do terreno que abrigam 128 detentos. O número de fugitivos poderia ser maior. Detentos de outras alas disseram que não escaparam alegando vários motivos. Um deles disse que seu crime é considerado leve e, nos próximos dias, ele será colocado em liberdade. Policiais militares informaram que as torres estão construídas em locais impróprios deveriam estar no último muro. Das seis, três estão em desuso. Ribeiro informou que todas as providências possíveis foram tomadas. A partir de hoje, o túnel será concretado. A concretagem deveria ocorrer antes, mas foi necessário esperar o trabalho dos peritos do Instituto de Criminalística (IC).